Quando as decisões políticas são definidas por grupos econômicos que se instalam no poder com a finalidade de defender seus próprios interesses, as democracias se transformam em plutocracias. É o que está acontecendo nos Estados Unidos, a partir da posse de Donald Trump. Nada menos do que 11 bilionários da indústria armamentista, do petróleo e das big techs (os novos reis do capitalismo de plataforma) integram o seu gabinete, com destaque para o neonazista sul-africano Elon Musk, hoje considerado o capitalista mais rico do mundo.
Esses magnatas têm uma riqueza conjunta em valor superior ao PIB de 154 países. É evidente que esses privilegiados capitalistas estão exercendo influência no governo norte-americano com o objetivo de aumentar a própria riqueza, fazendo com que a concentração e centralização do capital e renda cresçam nas mãos de poucos, em detrimento da população.
O que se vê é a democracia estadunidense se transformando numa plutocracia, contrariando o que sempre procurou difundir para o mundo, como sendo o exemplo de sistema democrático. A capitulação do governo ao poder do dinheiro faz da plutocracia uma realidade dominante naquela nação da América do Norte. Instalou-se um governo dos ricos para os ricos. O termo plutocracia é de origem grega e foi criado a partir das palavras ploutos (riqueza) e kratos (poder).
A extrema-direita nunca quis conviver com a democracia. A classe capitalista, detentora de produção, circulação e distribuição de riquezas, pratica um sistema político e jurídico, que lhe assegura o controle social e econômico em detrimento das classes desprotegidas. A estratégia dos mais fortes na exploração dos mais frágeis produz uma distância crescente entre eles e a grande massa manipulada pelos meios de comunicação social, desencadeando, por conseguinte, o recrudescimento da luta de classes.
Afinal de contas, os plutocratas nunca têm sentimento de culpa ou de remorsos, desenvolvendo um código de comportamento movido pela insensibilidade humana. Nos EUA de agora, as ações políticas em defesa da democracia e da liberdade estão sendo substituídas pela defesa dos interesses das suas classes dominantes e do seu imperialismo a nível mundial. O grande capital domina os processos econômicos, políticos, midiáticos e eleitorais nos EUA. Governados por um multimilionário, ignorante e boçal, são um país em crise, com dificuldades para sair da degradação em que se encontram, em termos econômicos e sociais.
A verdade é que os EUA deixaram de ser fonte de inspiração democrática para os seus cidadãos e o mundo. E ainda há, por aqui, quem reverencie esse líder da extrema-direita que se julga dono do mundo, numa postura de subserviência impatriótica e desavergonhada.
