A notícia caiu como uma bomba no Estado. No dia 5 de maio de 1978, o Ministro José Américo de Almeida, em entrevista concedida a um jornal do Sul do país, manifestou o desejo de deixar a Paraíba. Ele anunciou o propósito de vender sua mansão no Cabo Branco e fixar residência em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
A decisão teria sido tomada em razão de declarações de aliados políticos de Milton Cabral e Antônio Mariz, que haviam sido preteridos na escolha para o governo estadual. Acusavam o Ministro de ter trabalhado nos bastidores em favor da indicação de Tarcísio Burity, prejudicando as candidaturas dos outros dois nomes.
Ao declarar sua mágoa com as acusações, José Américo expressou-se de forma contundente:
“Nesta altura da vida, preciso, acima de tudo, de paz de espírito. Por isso abandonei a política que é, por natureza, trepidante. O pior dos desgostos emocionais é a indignação, e nada nos fere mais que a injustiça. Tenho feito tudo para alhear-me da vida partidária, que nada tem a oferecer-me. Esperava levar aqui uma vida tranquila, lendo e escrevendo. Infelizmente, porém, por mais que eu vivesse retirado da política, sem nenhuma ambição, lançam-me a culpa de atos que sou incapaz de praticar. Na idade extrema em que estou, preciso resguardar-me de emoções, e a pior delas é a indignação.”
Como era de se esperar, o desabafo público causou comoção entre os paraibanos, que o consideravam a maior referência política e intelectual do estado. As reações para dissuadi-lo foram imediatas. Parlamentares de diversos partidos formularam apelos para que o Ministro reconsiderasse a decisão, tomada em um impulso emocional de desencanto.
Na Assembleia Legislativa, o presidente da casa, deputado Nominando Diniz, liderou o movimento afirmando:
“José Américo, que é nosso orgulho, não pode deixar a terra que o viu nascer e que ele serviu com tanto amor e devotamento. Meu apelo traduz os anseios de toda a Paraíba.”
Até mesmo o deputado Manoel Gaudêncio, um dos mais destacados aliados de Antônio Mariz, declarou:
“Em consequência de um mal-entendido, não se pode admitir que José Américo deixe a Paraíba.”
Seguiram-se manifestações de apoio de diversos parlamentares, entre eles Antônio Montenegro, Soares Madruga, Francisco Soares, Frei Marcelino, Rui Gouveia e Edme Tavares.
O presidente da Academia Paraibana de Letras, Aurélio de Albuquerque, organizou uma comitiva de acadêmicos para visitar a residência do Ministro no Cabo Branco. O grupo era composto por figuras ilustres como:
- Ministro João Lyra Filho;
- Desembargador Mário Moacir Porto;
- Escritor Juarez da Gama Batista;
- Poeta Celso Novaes;
- Professor Afonso Pereira;
- Lauro Xavier e Eugênio de Carvalho.
Ao final do encontro, Aurélio de Albuquerque teria perguntado:
— “Ministro, o senhor não poderia dar uma declaração tal como o ‘Dia do Fico’?”
Ao que José Américo, com seu conhecido engenho verbal, respondeu:
— “Fico não; ficaram-me.”
Sensibilizado pelo apelo coletivo, José Américo decidiu permanecer em sua casa no Cabo Branco, local onde hoje funciona a Fundação Casa de José Américo. E assim, para o alívio do Estado, ele permaneceu em solo paraibano até o fim de seus dias.
