O papa Francisco se descreveu como “irmão universal” ao escrever uma mensagem aos muçulmanos de todo o mundo em comemoração ao final do Ramadã –mês sagrado para o Islã onde os religiosos se abstêm de comer, beber, fumar e praticar relações sexuais do nascer ao pôr-do-sol.
Apesar da tradição que já dura mais de 40 anos, o pontífice assinou o documento, que antes era enviado em nome do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso do Vaticano. Ele, no entanto, não é o primeiro papa a falar diretamente com os muçulmanos. Diante do resultado da primeira Guerra do Golfo, João Paulo 2º, em 1991, expressou seu pesar e solidariedade às vítimas da tragédia.
“Este ano, o primeiro do meu pontificado, decidi assinar esta mensagem tradicional enviada a vós, queridos amigos, como uma expressão de estima e de amizade para todos os muçulmanos, especialmente aqueles que são líderes religiosos”, disse Francisco, logo no início do documento.
Foi uma “iniciativa pessoal”, explicou o presidente do conselho, cardeal Jean-Louis Tauran, durante uma entrevista à Rádio Vaticano. Segundo ele, a atitude expressa o “grande respeito que o pontífice tem para com os fiéis do Islã”.
A primeira mensagem direta aos mulçumanos foi dedica ao pedido de “respeito mútuo” entre as religiões construídos através da educação. Francisco definiu o respeito como “uma atitude de bondade para com as pessoas para quem temos consideração e estima”.
E ao final, o papa chamou a todos –mulçumanos e cristões– a “pensar, falar e escrever o outro de uma forma respeitosa, não só na sua presença, mas sempre e em toda parte, evitando críticas injustas ou difamação” e “respeitar a religião do outro, os seus ensinamentos, os símbolos e valores “. “Quanta dor estão causando os ataques a um ou outro?”, questionou.
O diálogo inter-religioso, como apontou Tauran, foi defendido pelo papa desde o início de seu pontificado e também pelo então cardeal Jorge Bergoglio. O argentino, alguns anos atrás, “havia enviado um sacerdote da Arquidiocese de Buenos Aires para o Cairo para estudar árabe, porque ele queria alguém que fosse capaz para interceder pelo diálogo com o Islã”.
Intenção que também foi destaca na mensagem, quando o pontífice fez um breve relato da escolha de seu nome, inspirado na figura de São Francisco de Assis. “Ele amou profundamente a Deus e cada ser humano, a ponto de ser chamado de ‘irmão universal’”.


