Fim das bets pode injetar R$ 40 bilhões por ano no orçamento das famílias brasileiras

Banimento de bets deve injetar R$ 40 bilhões por ano no orçamento das famílias. Entenda o impacto no WSCOM
(Foto: Freepik)

O banimento das apostas online no Brasil deve injetar cerca de R$ 40 bilhões por ano no orçamento das famílias brasileiras. A estimativa baseia-se na receita bruta acumulada pelas plataformas do setor antes do bloqueio das atividades e sinaliza uma migração direta desses recursos para o consumo de bens, liquidação de dívidas e formação de poupança.

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Segundo levantamento publicado pela Folha de São Paulo, dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda mostram que o mercado regulado de apostas de quota fixa registrou GGR — sigla em inglês para receita bruta dos jogos — de R$ 20,2 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026.

Mantido o mesmo ritmo durante todo o ano, o montante chegaria a aproximadamente R$ 40,4 bilhões. Esse dinheiro, antes destinado às plataformas, poderá ser direcionado para outros setores da economia, embora a estimativa não considere uma eventual migração dos usuários para sites clandestinos.

Os números indicam que as famílias brasileiras perdiam, em termos líquidos, cerca de R$ 110 milhões por dia nas bets, o equivalente a aproximadamente R$ 770 milhões por semana.

Até a proibição, o mercado regulado reunia 84 operadores autorizados e 196 marcas comerciais. Os homens representavam 68,84% dos usuários, enquanto a maior concentração de apostadores estava na faixa etária de 31 a 40 anos, com 29,07% do total.

A movimentação financeira das plataformas, estimada em cerca de R$ 600 milhões por dia, caiu a zero após a entrada em vigor da medida provisória que tornou as apostas online ilegais no país, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Na sexta-feira (2), Durigan afirmou que o Banco Central e instituições financeiras já haviam identificado uma redução nas operações via Pix destinadas às casas de apostas, acompanhada de sinais de redirecionamento dos recursos.

“Isso está sendo apurado pelas várias equipes. Mas teve, sim, uma redução do Pix, identificada pelo Banco Central, identificada pelos bancos, a gente segue estudando para entender qual é a movimentação, mas o indício que a gente tem hoje é que o dinheiro está indo para outros setores da economia já com redução do Pix para as bets”, afirmou.

Um técnico do Banco Central ouvido pela Folha sob condição de anonimato afirmou que a proibição é a hipótese mais plausível para explicar a queda inicial no número de transações. Ele ponderou, porém, que será necessário observar um período mais longo para separar os efeitos da medida das oscilações sazonais do sistema de pagamentos.

Também há divergências entre as análises preliminares produzidas pelas instituições financeiras, diante de fatores diversos capazes de influenciar o volume diário de operações via Pix.

Os sites e aplicativos das casas de apostas deixaram de funcionar nesta terça-feira (6). A atividade havia sido proibida por uma medida provisória publicada pelo governo Lula em 25 de setembro.

A decisão ocorreu após uma rápida expansão das bets na economia brasileira. As primeiras autorizações formais para empresas do setor foram concedidas em dezembro de 2024, após a regulamentação aprovada pelo Congresso em 2023.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incorporou a proibição das apostas online à campanha pela reeleição. O governo sustenta que estudos relacionam a expansão das plataformas ao aumento do endividamento das famílias e prepara ainda um projeto de lei para criminalizar a exploração da atividade, com penas que podem chegar a seis anos de prisão.

Pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro apontou apoio majoritário à medida: 78% dos entrevistados disseram ser favoráveis à proibição das bets e dos cassinos online. O levantamento ouviu 2.506 pessoas em 152 municípios entre 28 de setembro e 1º de outubro.

Apesar do respaldo apontado pela pesquisa, integrantes da campanha de Lula avaliam que a medida também produziu desgaste eleitoral, sobretudo após uma mobilização de influenciadores digitais contrários à proibição.

A decisão tornou-se ainda um dos temas da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), que disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

Flávio classificou a medida como “populista, hipócrita e eleitoreira” e atacou o presidente durante a campanha.

“O presidente Lula está desesperado. Não fez em quatro anos e, na véspera da eleição, ele quer tentar fingir que não foi ele quem aprovou e regulamentou o cassino online na mão dos brasileiros. O Lula é o pai do tigrinho”, disse.

As apostas online haviam sido autorizadas por lei durante o governo Michel Temer e permaneceram sem uma regulamentação específica ao longo do mandato de Jair Bolsonaro. As regras para funcionamento do mercado foram estabelecidas durante o governo Lula, após aprovação de legislação pelo Congresso.

As empresas do setor agora articulam uma reação política e jurídica. Entidades que representam as plataformas pretendem atuar no Congresso para tentar derrubar a medida provisória e também recorreram ao Supremo Tribunal Federal.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável questionaram a proibição no STF, alegando que a mudança foi abrupta e provocou prejuízos bilionários a companhias que haviam investido no país sob as regras anteriormente estabelecidas.

O ministro Luiz Fux pediu informações ao governo no prazo de 72 horas. Em manifestação ao Supremo, a Advocacia-Geral da União defendeu a manutenção da proibição e citou, entre seus argumentos, a movimentação de R$ 7 bilhões por organizações criminosas em plataformas clandestinas de apostas.

Crédito: Brasil 247

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