Estagiários brasileiros tiveram um reajuste médio de 4,36% em suas remunerações, elevando o valor da bolsa-auxílio para R$ 1.312,83. O levantamento do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), baseado na análise de 143,6 mil contratos, aponta recuperação no valor pago pelas empresas em relação à média anterior de R$ 1.257,96.
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Para o presidente do Nube, Carlos Henrique Mencaci, o resultado é motivo de comemoração. “É possível ver claramente, ano após ano, a valorização do estágio no Brasil. As empresas entenderam a importância de investir no potencial dos nossos jovens e fazem isso cada vez mais. Os frutos estão sendo colhidos por todos os envolvidos”.
Na graduação, a média chegou a R$ 1.468,22, alta de 2,59% na comparação anual. Os cursos superiores de tecnologia alcançaram R$ 1.451,08, avanço de 5,36%. No médio técnico, subiu 3,97%, atingindo R$ 1.094,23. Para pós-graduação, mestrado e doutorado, a média apurada foi de R$ 1.568,21.
No ensino médio, a bolsa subiu de R$ 907,18 para R$ 1.015,77, aumento de 11,97%.
- Média Geral: R$ 1.312,83
- Ensino Médio: R$ 1.015,77
- Ensino Médio Técnico: R$ 1.094,23
- Superior Tecnólogo: R$ 1.451,08
- Superior: R$ 1.468,22
- Pós-graduação: R$ 1.568,21
Estatística lidera entre os cursos superiores
Além do panorama nacional, o estudo revela quais formações se destacam financeiramente. No ensino superior, Estatística assumiu o topo do ranking em 2025, com R$ 2.189,75, resultado 66,80% acima da média do país.
Na sequência, aparecem Ciências Atuariais, com R$ 1.996,87, e Ciências Econômicas, com R$ 1.915,56. Completam as cinco primeiras posições Ciência e Tecnologia (R$ 1.865,39) e Ciências e Humanidades (R$ 1.826,50).
1º – Estatística: R$ 2.189,75
2º – Ciências Atuariais: R$ 1.996,87
3º – Ciências Econômicas: R$ 1.915,56
4º – Ciência e Tecnologia: R$ 1.865,39
5º – Ciências e Humanidades: R$ 1.826,50
6º – Engenharia (todas as áreas): R$ 1.727,25
7º – Tecnologia da Informação: R$ 1.721,62
8º – Sistemas de Informação: R$ 1.697,26
9º – Química: R$ 1.653,83
10º – Ciência da Computação: R$ 1.628,27
11º – Química Industrial: R$ 1.627,33
12º – Relações Internacionais: R$ 1.612,92
13º – Relações Públicas: R$ 1.591,19
14º – Direito: R$ 1.570,73
15º – Marketing: R$ 1.569,34
Outro dado chama a atenção. Todos os 40 cursos de graduação incluídos na análise ficaram acima do índice nacional de R$ 1.312,83.
Estatística também apresentou uma das movimentações mais expressivas na comparação anual. Entre as formações presentes nas classificações dos dois últimos anos, a remuneração saltou 11,84%, passando de R$ 1.957,96 para R$ 2.189,75. Tecnologia da Informação cresceu 7,44%, enquanto Sistemas de Informação teve alta de 4,28%.
Segundo Mencaci, essas formações estão diretamente ligadas à análise de dados, à transformação digital e ao avanço da Inteligência Artificial. “São áreas cada vez mais estratégicas para as empresas. Os conhecimentos desenvolvidos são aplicáveis a diferentes setores da economia e com demanda crescente no mercado”.
Construção Civil lidera entre os tecnólogos
Nos cursos superiores de tecnologia, Construção Civil apareceu na primeira posição, com R$ 1.727,82. Banco de Dados desponta em segundo lugar (R$ 1.682,81), seguido por Produção Industrial (R$ 1.593,81), Mecânica (R$ 1.583,98) e Segurança da Informação (R$ 1.577,60).
Entre os cursos passíveis de comparação direta com 2024, Gestão da Qualidade teve a maior valorização, de 7,03%, chegando a R$ 1.553,70. Gestão Comercial avançou 7%, para R$ 1.527,32.
1º – Construção Civil: R$ 1.727,82
2º – Banco de Dados: R$ 1.682,81
3º – Produção Industrial: R$ 1.593,81
4º – Mecânica: R$ 1.583,98
5º – Segurança da Informação: R$ 1.577,60
6º – Gestão da Qualidade: R$ 1.553,70
7º – Automação Industrial: R$ 1.536,60
8º – Comércio Exterior: R$ 1.531,61
9º – Gestão Comercial: R$ 1.527,32
10º – Eletrônica: R$ 1.519,75
11º – Gestão da Tecnologia da Informação: R$ 1.518,03
12º – Análise e Desenvolvimento de Sistemas: R$ 1.501,01
13º – Tecnologia em Processos Químicos: R$ 1.490,41
14º – Gestão Financeira: R$ 1.489,24
15º – Processos Gerenciais: R$ 1.480,36
Técnico em Segurança do Trabalho ocupa o primeiro lugar
Entre os estudantes de nível médio técnico, Técnico em Segurança do Trabalho ocupa a primeira posição, com R$ 1.265,93. Técnico em Manutenção aparece em segundo lugar (R$ 1.252,37), seguido de Técnico em Edificações (R$ 1.210,96).
1º – Técnico em Segurança do Trabalho: R$ 1.265,93
2º – Técnico em Manutenção: R$ 1.252,37
3º – Técnico em Edificações: R$ 1.210,96
4º – Técnico em Design de Interiores: R$ 1.173,00
5º – Técnico em Contabilidade: R$ 1.160,15
6º – Técnico em Eletrônica: R$ 1.147,60
7º – Técnico em Mecatrônica: R$ 1.140,52
8º – Técnico em Gastronomia: R$ 1.131,86
9º – Técnico em Administração: R$ 1.128,98
10º – Técnico em Mecânica: R$ 1.128,66
11º – Técnico em Química: R$ 1.128,26
12º – Técnico em Informática: R$ 1.120,36
13º – Técnico em Automação Industrial: R$ 1.119,31
14º – Técnico em Publicidade: R$ 1.113,56
15º – Técnico em Eletrotécnica: R$ 1.104,69
Região Sul paga a maior bolsa média do país
As diferenças regionais também aparecem no estudo. A região Sul manteve a liderança chegando a R$ 1.381,18 em 2025. Em seguida, estão Sudeste (R$ 1.316,30), Centro-Oeste (R$ 1.270,86), Nordeste (R$ 1.216,16) e Norte (R$ 1.206,43). O maior ritmo de expansão anual ocorreu no Centro-Oeste, onde a média avançou 4,26%.
- Sul: R$ 1.381,18 (+2,39%)
- Sudeste: R$ 1.316,30 (+1,27%)
- Centro-Oeste: R$ 1.270,86 (+4,26%)
- Nordeste: R$ 1.216,16 (+3,26%)
- Norte: R$ 1.206,43 (+0,37%)
Estagiários de 25 a 29 anos têm a maior média
No recorte por idade, universitários de 25 e 29 anos aparecem com o maior resultado: R$ 1.487,48. Na sequência, estão os grupos de 30 a 40 anos (R$ 1.355,46) e de 18 a 24 anos (R$ 1.312,65). O maior crescimento proporcional, porém, ocorreu entre os mais jovens. Para estudantes de até 17 anos, a média passou de R$ 917,97 para R$ 990,15, uma valorização de 7,86%.
Para o presidente do Nube, esse retrato é natural. “Os estudantes de 25 a 40 anos, em sua maioria, estão na graduação ou na pós-graduação, em nichos com maior remuneração. No entanto, é interessante ver o crescimento da remuneração para quem tem 16 ou 17 anos. O estágio oferece a oportunidade de aplicar o conteúdo aprendido, desenvolver competências e iniciar uma trajetória profissional sem abandonar os estudos.”
Diferença entre homens e mulheres diminui
A análise também identificou uma redução na distância entre as bolsas de homens e mulheres. A média feminina passou de R$ 1.243,57 para R$ 1.284,86, evolução de 3,32%. Entre eles, o índice subiu 2%, de R$ 1.323,95 para R$ 1.350,43.
Desse modo, a diferença entre os dois grupos caiu de R$ 80,38 (2024) para R$ 65,57 (2025), redução de 18,4%. “Os números consolidados retratam a distribuição dos talentos entre cursos, níveis de ensino, regiões e tipos de oportunidade. O valor é definido para a vaga e não muda de acordo com o gênero da pessoa selecionada”, ressalta Mencaci.
- Masculino: R$ 1.350,43 (+2,00%)
- Feminino: R$ 1.284,86 (+3,32%)
- Outros: R$ 1.256,04 (+6,69%)
- Não informado: R$ 1.321,92 (-2,23%)
Bolsa-auxílio é referência, não um valor obrigatório
Esses dados apresentados funcionam como referência de mercado e não representam um piso obrigatório para as oportunidades de estágio. A definição da bolsa-auxílio deve considerar fatores como curso, região, jornada, complexidade das atividades e benefícios oferecidos.
O mais importante é a experiência proporcionada. “O estágio vai muito além do valor da bolsa-auxílio. Ele aproxima o estudante da realidade profissional, permite colocar o conhecimento em prática e contribui para o desenvolvimento de competências valorizadas pelas empresas. Quem tem essa oportunidade chega mais preparado para o mercado e amplia suas possibilidades de construir uma carreira de sucesso”, finaliza Mencaci.

