Dificuldade financeira afeta saúde mental de 89% dos brasileiros, aponta pesquisa

DIficuldade financeira afeta saúde mental de 89% dos brasileiros, aponta pesquisa
(Foto: Reprodução)

Os problemas financeiros de muitos brasileiros desencadeiam prejuízos que vão além do bolso. De acordo com dados de uma pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box, 89% dos entrevistados afirmam que as dificuldades financeiras já afetaram a sua saúde mental de alguma forma. Já 80% relatam que entre as suas maiores preocupações do cotidiano estão a falta de dinheiro e a dificuldade para pagar contas.

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Entre os efeitos mais sentidos está o impacto na qualidade do sono: 71% afirmam que ela já foi afetada por problemas financeiros, ante 54% apurados na pesquisa anterior, de 2025. Além disso, 53% relatam alteração de humor, 50% problemas de autoestima e 47% questões de instabilidade emocional.

“Este cenário mostra que a relação com dinheiro não fica restrita ao momento de pagar uma conta ou administrar uma dívida, mas pode acompanhar o indivíduo em todas as áreas da vida. Na prática, a pressão financeira ultrapassa a organização e passa a interferir diretamente no sono, humor, autoestima, relações e até mesmo na vida profissional”, comenta Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.

A pressão financeira invade a rotina

Ainda de acordo com a pesquisa, a saúde mental vem ganhando espaço nas prioridades dos brasileiros: 83% gostariam de investir mais na própria saúde mental. Atualmente, 67% já investem nesse tipo de cuidado e, entre eles, 36% comentam que esses gastos equivalem a 10% da renda mensal. Esse movimento, porém, nem sempre cabe no orçamento e pode trazer impactos financeiros para quem busca manter ou ampliar os cuidados com o bem-estar.

Segundo o levantamento, 66% dos entrevistados já enfrentaram dificuldades financeiras por conta de gastos relacionados à saúde mental, enquanto 62% já deixaram de buscar ajuda psicológica por não conseguir pagar, ante 49% em 2025.

Para aqueles que já enfrentam dificuldades financeiras, gastos com medicamentos, terapia e psiquiatria podem pesar no orçamento. Ainda assim, os brasileiros seguem buscando formas de priorizar esses cuidados, mesmo quando isso exige adaptações na vida financeira.

Quando questionados sobre quais problemas enfrentaram decorrentes de questões de saúde mental, 70% dos entrevistados acumularam dívidas, número 16 p.p maior do que na mesma pesquisa do ano passado. Já 64% enfrentaram desorganização financeira, 41% consumiram a reserva de emergência e 37% passaram a depender de crédito para despesas diárias.

Nesse cenário, a educação financeira também é vista como parte da solução: 76% acreditam que ela pode contribuir para melhorar a saúde mental, enquanto 53% afirmam que aprender a organizar melhor as finanças ajudariam a potencializar essa relação. Para 63%, o apoio psicológico ajudaria a tomar melhores decisões financeiras, e 57% acreditam que menos estresse levaria a decisões financeiras mais ponderadas.

“Os dados mostram que cuidar da saúde mental e manter as finanças em dia são desafios que muitas vezes acabam caminhando juntos. A educação financeira se torna uma excelente aliada ao longo desse processo, trazendo mais assertividade para as escolhas diárias, ajudando os brasileiros a balancearem suas economias e, ainda, a priorizar o cuidado com o bem-estar”, finaliza Aline.

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