A cobrança de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros deve trazer novos desafios para o setor sucroenergético. Embora o mercado norte-americano represente uma fatia limitada das exportações brasileiras de açúcar, analistas avaliam que a medida pode alterar o fluxo internacional da commodity e influenciar negativamente os preços no mercado global.
Com a nova taxação, o Brasil passa a ocupar a posição de segunda economia mais tarifada pelos Estados Unidos, atrás apenas da China, conforme levantamento da plataforma Global Trade.
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.
O impacto ocorre em um mercado que já possui restrições históricas à importação de açúcar. Os Estados Unidos adotam o sistema de cotas tarifárias (TRQ), que permite a entrada de um volume limitado do produto com tarifas reduzidas. Acima desse limite, as taxas podem superar 100%, dificultando a competitividade de exportadores estrangeiros.
Segundo análise da consultoria StoneX, o Brasil possui participação importante na cota destinada ao açúcar bruto. Para o exercício de 2026, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) reservou ao país cerca de 156 mil toneladas para exportação dentro desse sistema.
México pode ampliar espaço no mercado americano
Enquanto o Brasil enfrenta novas restrições, o México deve aumentar sua participação nas exportações de açúcar para os Estados Unidos. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o país poderá fornecer até 1,15 milhão de toneladas de açúcar na safra 2026/27, volume aproximadamente cinco vezes superior ao previsto para a temporada anterior.
O crescimento está ligado a um novo acordo bilateral firmado entre os dois países, que redefine as condições de acesso do açúcar mexicano ao mercado norte-americano. A expectativa do governo mexicano é de que as mudanças também elevem a remuneração dos produtores de cana-de-açúcar na próxima safra.
Apesar das incertezas provocadas pelo aumento das tarifas, especialistas avaliam que os impactos podem perder força ao longo do tempo. A StoneX destaca que a produção de açúcar de beterraba nos Estados Unidos enfrenta riscos climáticos devido às altas temperaturas no Hemisfério Norte. Caso a oferta doméstica diminua, o país poderá voltar a ampliar as importações.
Além disso, a perspectiva de um déficit global na produção de açúcar durante a safra 2026/27 tende a sustentar os preços internacionais da commodity no médio prazo.

