O avanço das grandes redes de fast fashion não tem impedido o crescimento dos brechós no Brasil. Impulsionados pela busca por preços mais baixos, sustentabilidade e exclusividade, esses pequenos negócios vêm conquistando um público cada vez maior e transformando a forma como muitas pessoas consomem moda.
Uma pesquisa do Sebrae-SP mostra que o setor está em expansão. No estado de São Paulo, existem 7.348 pequenos negócios voltados ao comércio de produtos usados, sendo 71% deles microempreendedores individuais (MEIs). O levantamento aponta ainda que 71% dos consumidores procuram brechós pelos preços mais baixos, enquanto 45% valorizam a qualidade das peças e 43% afirmam que a sustentabilidade e o consumo consciente influenciam a decisão de compra.
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Em João Pessoa, o Brechó Volver nasceu de forma despretensiosa e acabou se tornando um espaço que reúne moda, cultura e convivência. A fundadora, Maria do Rosário Moura Bezerril, aposentada do Banco do Brasil, conta que a ideia surgiu quando seus filhos deixaram a casa onde moravam.
“A casa foi ficando cada vez maior e eu cada vez menor dentro dela. Conversando com minhas amigas, elas sugeriram que eu montasse um brechó. Reunimos 15 amigas, escolhemos o nome e cada uma trouxe algumas peças. Era uma brincadeira que foi crescendo”, explicou.
O projeto começou reunindo roupas das próprias amigas, mas rapidamente ganhou novos participantes e clientes interessados na proposta de reaproveitamento das peças.

Foto: Lara Ribeiro/ Portal WSCOM
Curadoria baseada na conservação
Ao contrário das coleções produzidas em larga escala pelas grandes redes varejistas, cada peça encontrada em um brechó é única. Para garantir a qualidade dos produtos, o Volver adota um critério simples: apenas roupas em bom estado são aceitas.
“O importante é que a roupa esteja em pleno estado de uso para continuar a história que ela já teve. O estilo eu deixo para quem compra decidir.”, explicou Maria
Segundo ela, a procura acompanha o calendário. No Carnaval, predominam roupas leves e coloridas; durante o São João, o xadrez ganha destaque; no fim do ano, aumentam as buscas por peças brancas. Em 2026, o brilho foi uma das principais tendências entre os clientes.
Muitas peças chegam por meio de doações de pessoas que desejam desapegar de roupas guardadas há anos, fortalecendo a economia circular e prolongando a vida útil dos produtos.

Foto: Lara Ribeiro/ Portal WSCOM
Mais que um comércio
Para a psicóloga, ceramista e colaboradora do Brechó Volver, Mirra Moura Maia, competir com as grandes redes exige oferecer algo que vai além do preço. “Nossa proposta é dar uma pausa nessa lógica de consumo e descarte de roupas. Muitas peças de qualidade duram 15, 20 anos ou até mais”, ressaltou.
Ela explica que, ao longo do tempo, o brechó passou a sediar oficinas de cerâmica, lançamentos de livros, apresentações musicais e exibições de filmes. “O brechó deixou de ser apenas um comércio de roupas. Hoje também é um espaço de arte e convivência”, destacou.

Foto: Lara Ribeiro/ Portal WSCOM
Consumo consciente impulsiona setor
O crescimento do segmento acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Segundo o Sebrae-SP, 84% das pessoas ainda preferem comprar em brechós físicos, e o gasto médio por visita varia entre R$ 50 e R$ 100. A pesquisa também aponta que 93% dos consumidores consideram a compra em brechós uma forma de consumo sustentável, reforçando a relação entre o setor e a economia circular.

