Além da sobretaxa de 25% já anunciada por Donald Trump, os Estados Unidos avaliam aplicar uma nova tarifa extra de 12,5% sobre as exportações brasileiras. Segundo informações do jornal O Globo, a medida está em análise pela Casa Branca sob a alegação de falhas do Brasil no combate à importação de produtos ligados ao trabalho forçado. Caso seja oficializada, a punição deve atingir diretamente setores estratégicos como alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.
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O Brasil está entre 60 economias investigadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, por supostas deficiências na fiscalização de produtos fabricados em condições trabalhistas irregulares. O órgão sustenta que o comércio dessas mercadorias reduziria artificialmente os custos de produção e prejudicaria a concorrência com empresas americanas.
A investigação abrange importações realizadas entre 2021 e 2025. No caso brasileiro, as autoridades americanas identificaram cinco grupos de mercadorias que teriam sido adquiridas de países acusados de recorrer ao trabalho forçado: alumínio, algodão, equipamentos eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.
De acordo com o USTR, o Brasil “falhou em impor e aplicar de forma efetiva” uma proibição contra a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. O órgão reconhece que o país participa de acordos comerciais e de investimentos com cláusulas trabalhistas, mas considera que esses compromissos não impedem expressamente a entrada de mercadorias produzidas, total ou parcialmente, sob condições consideradas abusivas.
A argumentação norte-americana se concentra principalmente nas compras realizadas pelo Brasil no mercado internacional. Na avaliação do governo Trump, empresas brasileiras poderiam importar mercadorias mais baratas de países que não cumprem padrões mínimos de proteção aos trabalhadores e, posteriormente, utilizar esses insumos na fabricação de produtos destinados ao consumo interno ou à exportação.
Esse mecanismo, segundo a investigação, criaria uma vantagem competitiva indevida em relação às empresas dos Estados Unidos, submetidas a regras trabalhistas e custos de produção mais elevados. O relatório também menciona a existência de casos de trabalho forçado em determinadas atividades econômicas dentro do próprio território brasileiro.
Brasil está entre 54 países sujeitos à tarifa de 12,5%
Além do Brasil, outros 53 países poderão ser submetidos à alíquota de 12,5%, caso a proposta seja aprovada pelo governo americano. A investigação faz parte de uma iniciativa mais ampla de Washington para pressionar parceiros comerciais a adotarem mecanismos específicos contra produtos relacionados ao trabalho forçado.
Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e os países da União Europeia receberam uma proposta de tarifa menor, de 10%. Segundo as autoridades americanas, essas economias já possuem algum tipo de proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado ou assumiram compromissos para fortalecer a fiscalização por meio de acordos comerciais recíprocos.
Esses países também teriam implementado regimes parciais para impedir a entrada de mercadorias provenientes de determinadas empresas, regiões ou cadeias produtivas associadas a violações trabalhistas. A diferenciação das tarifas, portanto, estaria relacionada ao grau de adequação das legislações nacionais aos critérios exigidos pelos Estados Unidos.
A eventual cobrança de 12,5% ainda depende da conclusão do processo conduzido pelo USTR. Não foram divulgados detalhes sobre o calendário para uma decisão definitiva nem sobre a possibilidade de apresentação de esclarecimentos ou medidas corretivas por parte dos países investigados.
Nova ameaça ocorre após anúncio de tarifa de 25%
A nova investigação surge em meio à escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano anunciou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das mercadorias brasileiras exportadas para o mercado dos EUA.
A sobretaxa entra em vigor em 22 de julho de 2026. O decreto publicado por Washington, no entanto, estabeleceu uma lista de exceções que preserva alguns dos principais itens vendidos pelo Brasil aos consumidores e às empresas americanas.
Ficarão fora da tarifa produtos como carne, café, laranja e suco de laranja, além de petróleo, gás natural, peças e componentes destinados ao setor aeroespacial. A exclusão reduz o impacto imediato da medida sobre setores relevantes da pauta exportadora brasileira, mas mantém a pressão sobre outras áreas da indústria nacional.
A possível tarifa adicional de 12,5% possui justificativa distinta da cobrança de 25%. Enquanto o tarifaço anunciado anteriormente faz parte da política comercial mais ampla do governo Trump, a nova alíquota está relacionada especificamente às acusações envolvendo trabalho forçado e à ausência de uma proibição considerada suficientemente abrangente pelos Estados Unidos.
Ainda não está claro se as duas tarifas poderiam ser acumuladas sobre um mesmo produto. Caso isso ocorra, algumas mercadorias brasileiras poderiam enfrentar uma cobrança total significativamente superior ao ingressar no mercado americano, ampliando os custos para exportadores e importadores.
A investigação do USTR também pode levar empresas brasileiras a intensificarem o rastreamento de suas cadeias de fornecedores. Setores que dependem de matérias-primas importadas poderão ser pressionados a comprovar a origem dos produtos, as condições de fabricação e o cumprimento das normas trabalhistas pelos países e companhias envolvidos na produção.
O caso acrescenta uma nova frente às negociações comerciais entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Além das discussões sobre tarifas, exportações e regras de reciprocidade, o Brasil passa a enfrentar questionamentos americanos relacionados à fiscalização trabalhista e à origem das mercadorias comercializadas no mercado nacional.
Crédito: Brasil 247

