O tradicional “prato feito” (PF), principal referência da alimentação fora do lar no Brasil, registrou alta em todas as regiões do país e atingiu o preço médio nacional de R$ 31,90. O dado faz parte do Índice Prato Feito (IPF), indicador desenvolvido pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo (FAC-SP/ACSP).
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O levantamento indica que a refeição composta por arroz, feijão, proteína, salada e guarnição acumula alta de 5,4% em relação a março e de 7,2% frente a janeiro deste ano, reforçando a pressão do custo de vida sobre consumidores e empresários do setor de alimentação.
Período
Preço nacional de referência
- Janeiro de 2026 – R$ 29,77
- Março de 2026 – R$ 30,27
- Junho de 2026 – R$ 31,90
- Variação junho x março – +5,4%
- Variação junho x janeiro – +7,2%
Na prática, um trabalhador que almoça fora de casa em todos os dias úteis do mês passa a gastar cerca de R$ 638 mensais apenas com o prato feito, considerando 20 refeições por mês.
Segundo Rodrigo Simões Galvão, economista, coordenador e responsável técnico pelo IPF, o indicador permite observar a inflação sob a ótica da experiência cotidiana do consumidor.
“O prato feito é a economia servida no prato. Nele estão o arroz, o feijão e a carne, mas também o aluguel do ponto comercial, a energia elétrica, o salário dos funcionários, o transporte, os tributos, o custo financeiro e a margem do empresário. Quando o prato feito sobe, não é apenas o alimento que ficou mais caro; é toda a estrutura econômica pressionando o preço final.”
Sul e Centro-Oeste lideram ranking dos pratos feitos mais caros
Os dados regionais mostram diferenças relevantes no custo da refeição pelo país. O Sul registrou o maior preço médio de referência, seguido pelo Centro-Oeste. Ambas as regiões aparecem significativamente acima da média nacional.
Região x Preço de referência
- Sul – R$ 34,90
- Centro-Oeste – R$ 34,45
- Sudeste – R$ 31,99
- Nordeste – R$ 30,00
- Norte – R$ 29,99
- Brasil – R$ 31,90
A diferença entre o Sul, região mais cara, e o Norte, região mais barata, alcança aproximadamente 16,4%. Segundo os pesquisadores, fatores como custo dos imóveis comerciais, renda local, logística, mão de obra, concorrência e perfil de consumo ajudam a explicar a disparidade regional.
“O Brasil não almoça pelo mesmo preço. O prato feito evidencia diferenças regionais importantes, mas também mostra um movimento comum: a refeição básica está mais cara em todo o país”, afirma Rodrigo Simões Galvão.
Pressão de custos vai além dos alimentos
O estudo destaca que a formação do preço do prato feito depende de uma cadeia ampla de custos. Mesmo quando alguns itens da cesta básica apresentam estabilidade ou queda, despesas operacionais continuam pressionando bares, restaurantes e pequenos negócios de alimentação.
Entre os principais fatores que impactam o preço estão:
Alimentos, como arroz, feijão, carnes, legumes, verduras e óleos;
- Mão de obra;
- Energia elétrica, água e gás;
- Aluguel do ponto comercial;
- Logística e transporte;
- Juros e custo financeiro;
- Recomposição das margens operacionais.
A combinação desses fatores faz do prato feito um indicador sensível das transformações econômicas do cotidiano, refletindo pressões vindas do campo, da indústria, dos serviços e do comércio.
Alimentação fora do lar pesa cada vez mais no orçamento
Para os consumidores, o avanço do indicador mostra que a alimentação fora de casa ocupa uma parcela crescente da renda mensal. Embora continue sendo uma das opções mais acessíveis para refeições completas, o prato feito já representa um gasto relevante para milhões de trabalhadores.
Com o preço médio nacional em R$ 31,90, uma pessoa que consome a refeição diariamente em dias úteis desembolsa aproximadamente R$ 638 por mês. Em famílias com mais de um integrante trabalhando fora, esse valor pode superar facilmente R$ 1 mil mensais.
Empresários enfrentam desafio entre custos e demanda
O levantamento também chama atenção para a situação dos empresários do setor. Segundo a FAC-SP, o aumento dos preços não necessariamente significa maior lucratividade, mas muitas vezes representa apenas o repasse parcial de custos acumulados ao longo dos últimos meses.
O cenário exige maior profissionalização da gestão, com foco em controle de desperdícios, negociação com fornecedores, gestão de estoque, padronização de processos, eficiência energética e monitoramento constante das margens.
“O empresário da alimentação está entre duas pressões: de um lado, consumidores cada vez mais sensíveis ao preço; de outro, custos operacionais que continuam elevados. O desafio é preservar qualidade, competitividade e sustentabilidade financeira”, destaca Rodrigo Simões Galvão.
Indicador aproxima a inflação da realidade do consumidor
A Faculdade do Comércio ressalta que o IPF não substitui indicadores oficiais de inflação, como o IPCA. O objetivo é complementar a análise econômica por meio de um produto amplamente consumido e facilmente compreendido pela população.
O levantamento do segundo trimestre de 2026 contou com a maior base de dados da série histórica até o momento, totalizando 887 observações válidas, ampliando a representatividade nacional do indicador.
O relatório destaca que o IPF é um índice complementar, em processo contínuo de aperfeiçoamento metodológico, destinado a monitorar tendências de preços na alimentação fora do lar.
