O Nordeste se mantém no topo do ranking nacional como a região com o maior desafio de inclusão financeira no mercado de crédito digital. A constatação é do Índice Juros Baixos de Empréstimo (IJBE Q1/2026), estudo realizado pela fintech Juros Baixos a partir do mapeamento de mais de 10 milhões de solicitações reais de crédito processadas entre janeiro de 2025 e março de 2026.
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No período analisado, a plataforma processou mais de R$ 50 bilhões em crédito demandado.
Os dados revelam que a distribuição do crédito digital ainda não acompanha a distribuição da população brasileira, e o maior desequilíbrio ocorre justamente no Nordeste.
Em março de 2026, a região respondeu por apenas 8,4% dos contratos de empréstimo pessoal, apesar de concentrar 26,9% da população brasileira.
A diferença de aproximadamente 16 pontos percentuais representa o maior descompasso entre peso demográfico e acesso ao crédito digital identificado pelo levantamento.
Nordeste pede mais crédito do que recebe
A desigualdade não aparece apenas na distribuição dos contratos. Segundo o IJBE, o Nordeste concentra 25% das solicitações de empréstimo pessoal do país, mas responde por apenas 17% das aprovações.
Os dados mostram que existe uma demanda significativa por crédito na região, mas parte desse público ainda encontra dificuldades para concluir a contratação.
Entre os estados nordestinos, Bahia, Ceará e Pernambuco lideram a participação nos contratos da região.
Mesmo assim, o volume permanece distante da representatividade do Nordeste na população brasileira.
O levantamento também aponta que 46% das buscas por empréstimo pessoal no Brasil são realizadas por pessoas com restrição no CPF, enquanto apenas 19% desse grupo consegue aprovação, uma diferença de 27 pontos percentuais.
O indicador ajuda a explicar parte das barreiras enfrentadas por consumidores de regiões historicamente menos bancarizadas.
“O crédito digital ainda reproduz parte das desigualdades regionais do país, mas também é a ferramenta com mais potencial para reduzi-las. Quando uma região historicamente menos bancarizada começa a aparecer com mais força nos dados, isso indica que o acesso está, de fato, mudando, não só a demanda”, afirma Guilherme Nasser, cofundador e CEO da Juros Baixos.
Inclusão financeira ainda é um desafio
Segundo o relatório, o comportamento do Nordeste evidencia que a transformação digital do mercado de crédito ainda avança em ritmos diferentes entre as regiões brasileiras.
Embora a demanda por crédito seja elevada, fatores como perfil de risco, histórico financeiro e critérios de aprovação continuam limitando o acesso de parte da população ao mercado formal de crédito.
Para a Juros Baixos, ampliar a competição entre instituições financeiras e facilitar o acesso às opções de crédito pode contribuir para reduzir essas diferenças ao longo dos próximos anos.

