O Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP) avaliou como positiva a nova redução de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, anunciada nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Embora o quarto corte consecutivo tenha levado a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano, a entidade alerta que a medida ainda é insuficiente para destravar com consistência o crédito imobiliário e os investimentos no setor.
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Para o Sinduscon-JP, o movimento representa um avanço, mas o Brasil segue com um patamar de juros que restringe o crescimento de setores estratégicos, caso da construção civil.A decisão já era esperada pelo mercado e não veio acompanhada de sinalização sobre novos cortes: o Banco Central adotou os termos “serenidade e cautela” para o horizonte da Selic, diante da incerteza inflacionária externa e interna.
Como explica Werton Oliveira, economista do Sinduscon-JP: ” É um movimento importante, mas que ainda não é suficiente para estimular de forma mais consistente o crédito e os investimentos. O Banco Central segue bastante cauteloso, o que mostra que ainda não está confortável com o patamar atual da inflação para um recuo maior”.
O ritmo conservador de cortes tem relação direta com a inflação: o IPCA acumulado em 12 meses fechou junho em 4,64%, ainda distante do centro da meta. Ao mesmo tempo, o custo da construção segue pressionado — o INCC acumula alta de 6,40% em 12 meses, puxado por materiais, mão de obra e pelo capital de giro que financia a obra até a entrega, este último diretamente sensível à Selic. O resultado é uma compressão de margens que pode levar construtoras a repassar custos ao preço final ou reduzir a velocidade de vendas.
Como destaca Ozaes Mangueira Filho, presidente do Sinduscon-JP: “Entendemos que essa decisão do Copom é positiva, mas o país ainda convive com um nível de juros que limita o crescimento de setores estratégicos, como a construção civil. Precisamos de uma trajetória mais consistente de queda da Selic para destravar o crédito e os investimentos no setor aqui na Paraíba, gerando emprego, renda e novos empreendimentos para João Pessoa e todo o estado”, afirma.
Para o Sinduscon-JP, o cenário ideal passa por uma trajetória de corte mais previsível ao longo de 2026, a chegada da Selic a um patamar de um dígito no horizonte de 12 a 18 meses e um controle da inflação que não sacrifique as condições especiais de crédito habitacional, como SBPE, FGTS e Minha Casa Minha Vida.

