O Brasil poderá enfrentar um duro impacto no agronegócio após ficar de fora da nova lista sanitária da União Europeia que autoriza países a exportarem produtos de origem animal para o bloco. A decisão pode comprometer quase US$ 2 bilhões em vendas externas de carnes e outros produtos brasileiros já a partir de setembro.
Segundo a Comissão Europeia, o país não apresentou garantias consideradas suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na criação animal, exigência estabelecida pelas autoridades sanitárias europeias. Com isso, diversos produtos brasileiros podem deixar de entrar no mercado europeu a partir de 3 de setembro.
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Entre os itens potencialmente afetados estão carne bovina, frango, ovos, mel, produtos da aquicultura e até animais vivos. Atualmente, a União Europeia é o segundo principal destino das exportações brasileiras de carnes em valor comercializado, atrás apenas da China.
Dados do Ministério da Agricultura apontam que o bloco europeu importou, em 2025, cerca de 368 mil toneladas de produtos brasileiros do setor, movimentando aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
A carne bovina lidera as exportações para os europeus em valor agregado. No ano passado, o Brasil vendeu 128 mil toneladas do produto ao bloco, gerando mais de US$ 1 bilhão em receitas. Já a carne de frango respondeu por cerca de 230 mil toneladas embarcadas, com faturamento de US$ 762 milhões.
Além das proteínas animais, o mel brasileiro também pode sofrer restrições. O produto movimentou cerca de US$ 6 milhões em exportações para a União Europeia no último ano.
A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil precisará comprovar adequação às normas sanitárias do bloco para recuperar a autorização de exportação. Segundo ela, as regras exigem controle rigoroso do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.
Em abril, o Ministério da Agricultura já havia publicado uma portaria proibindo o uso de alguns antimicrobianos utilizados como promotores de crescimento animal, entre eles avoparcina e virginiamicina.
O governo brasileiro reagiu com surpresa à decisão. Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura, Relações Exteriores e Desenvolvimento afirmaram que irão adotar medidas para tentar reverter a exclusão do país da lista sanitária da União Europeia.
O Brasil também informou que representantes do governo terão reunião com autoridades sanitárias europeias nesta terça-feira (13) para discutir o tema e buscar esclarecimentos sobre a decisão do bloco.
Confira a nota na íntegra:
“NOTA CONJUNTA MAPA/MRE/MDIC
Medida da União Europeia contra exportações brasileiras de produtos de origem animal
“O governo brasileiro recebeu, hoje (12/5), com surpresa, a notícia da retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia, a partir de 3 de setembro de 2026.
A decisão decorre do resultado da votação realizada hoje no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. Vale ressaltar que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal seguem normalmente.
O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos.
O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia já tem reunião agendada para amanhã (13/5) com as autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a decisão.
Detentor de um sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida, o Brasil é o maior exportador do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu.”
