O crescimento do uso da inteligência artificial nas empresas, somado ao aumento de demissões, especialmente no setor de tecnologia, tem provocado mudanças no comportamento dos trabalhadores. Diante do receio de perder espaço, muitos profissionais passaram a trabalhar mais horas, diminuir pausas e buscar maior visibilidade no ambiente corporativo.
Levantamento da plataforma Resume.io, realizado com mais de 3 mil pessoas, aponta que os empregados têm dedicado, em média, 2 horas e 24 minutos extras por semana ao trabalho. Ao longo de um ano, isso representa cerca de 125 horas adicionais.
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Esse esforço se reflete em jornadas prolongadas, intervalos mais curtos e em práticas conhecidas como “teatro da produtividade”, quando o trabalhador tenta aparentar estar constantemente ocupado. Entre as atitudes mais comuns estão manter o status online ativo,
A pesquisa também revela mudanças no cotidiano dos profissionais. Muitos relatam responder às demandas fora do expediente, assumir novas responsabilidades sem revisão contratual e reduzir o tempo de descanso. Cerca de 55% dos entrevistados afirmaram que o intervalo de almoço diminuiu no último ano, muitas vezes por receio de parecer improdutivo.
Outro dado aponta que 67% dos trabalhadores sentem necessidade de demonstrar ocupação constante. Apesar disso, o medo da substituição segue presente. Para 34% dos entrevistados, a principal preocupação é perder o emprego diretamente para a IA.
Outros 30% temem uma substituição gradual, enquanto 20% receiam o aumento da pressão por resultados. Já 14% apontam o risco de ficar atrás de colegas mais adaptados às novas ferramentas.