O uso de “contas laranja” disparou no Brasil, acompanhando a velocidade das transações digitais. Em 2025, o país atingiu a marca de 2,6 milhões de perfis com indícios de fraude, um salto de 62% em apenas dois anos. Os dados são da Serasa Experian, divulgados nesta quarta-feira (18).
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O Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude, Leandro Bartolassi, explica que no universo das fraudes, “laranja” é o CPF usado para encobrir o verdadeiro beneficiário do golpe. “Essa utilização pode ocorrer sem o conhecimento do titular, a partir de dados vazados e abertura indevida de contas, ou com algum grau de participação, quando a pessoa empresta conta e informações bancárias. Em golpes com transferências via Pix, essas contas atuam como intermediárias, dificultando a rastreabilidade do dinheiro até o destino final”.
Além do aumento observado em dois anos, o estudo aponta um gargalo operacional relevante para o ecossistema financeiro: apesar do volume expressivo de perfis com indícios de uso como “laranjas” em 2025, apenas 3,2% foram efetivamente detectado. A maior parte permaneceu fora do radar em função do cenário associado, principalmente, à ausência de monitoramento consistente e do uso limitado de tecnologias de autenticação, além da própria complexidade do comportamento, que nem sempre aparece nos meios tradicionais de verificação de identidade.
“O uso de contas laranja é um dos mecanismos que mais ‘dá aparência de normalidade’ a uma fraude, porque cria uma camada intermediária antes do beneficiário final, o golpista. Em 2025, os dados mostraram que enfrentar esse tipo de crime exige uma combinação de inteligência analítica, validação de identidade e monitoramento comportamental durante toda a jornada, do onboarding às transações”, afirma Bartolassi. “Quando a identificação acontece cedo, as instituições conseguem reduzir perdas e também limitar a reutilização dessas contas em repasses via Pix e em outras modalidades”, completa o executivo da datatech.
Baixo uso de conta e escala do Pix ampliaram o espaço para contas intermediárias em 2025
O levantamento referente a 2025 mostrou que potenciais perfis laranja com baixo uso de serviços financeiros foram 9 vezes mais arriscados do que aqueles com alta frequência. A explicação passa pelo comportamento do correntista: segundo Bartolassi, ao acessar menos o aplicativo, esse público tende a ter menor familiaridade com funcionalidades e alertas e, consequentemente, mais dificuldade para perceber sinais de atividade suspeita, o que amplia o tempo de exposição a movimentações indevidas.
Esse cenário ganha ainda mais relevância com a consolidação do Pix no cotidiano do brasileiro. Em 2024, o sistema movimentou R$ 26 trilhões, segundo o Banco Central. Já no recorte do estudo da Serasa Experian, em 2025, as transações atribuídas a potenciais laranjas corresponderam a 2% do total — o equivalente a aproximadamente 1,2 bilhão de operações. “Essa combinação reforça como volume, velocidade e contas intermediárias seguem sendo um vetor crítico para golpes e dificultam a rastreabilidade dos recursos”, completa o Diretor da Serasa Experian.
Como a Serasa Experian identificou “características de potencial laranja”
O estudo considerou sinais e padrões associados ao uso indevido de contas como intermediárias em fraudes, a partir de variáveis como perfil de relacionamento com instituições financeiras, hábitos de consumo do CPF em diferentes segmentos, vínculos e consistências cadastrais, entre outros elementos. Por se tratar de inteligência proprietária, os critérios são consolidados em modelos analíticos que apoiam a prevenção à fraude sem expor detalhes que possam orientar tentativas de evasão.