O setor de turismo brasileiro alcançou um novo recorde de faturamento no primeiro semestre de 2025, movimentando R$ 108 bilhões, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa um crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2024, o equivalente a R$ 7 bilhões adicionais.
Entre os segmentos analisados, o alojamento apresentou a maior alta no semestre: 12,7%, com faturamento de R$ 13,6 bilhões. O transporte aéreo também teve desempenho expressivo, crescendo 10,6% e somando R$ 27,3 bilhões. O aumento no fluxo de passageiros, favorecido pela maior oferta de voos e pela redução do preço médio das passagens, foi determinante para o avanço.
De acordo com o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), a taxa de ocupação dos hotéis foi de 53,5% no período, inferior ao registrado em 2024 (57,6%), mas a elevação das tarifas, em torno de 10%, garantiu o crescimento da receita.
Além de hospedagem e aviação, também registraram variação positiva atividades como alimentação (6,9%), transporte aquaviário (6,5%), agências e operadoras de viagens (6,3%), transporte rodoviário de passageiros (2,4%) e atividades culturais, recreativas e esportivas (0,5%).
Em junho, mês em que o faturamento do turismo atingiu R$ 17 bilhões, um aumento de 5,6% em comparação com 2024 , o transporte aéreo se destacou com alta de 12%, movimentando R$ 4,45 bilhões. A hotelaria cresceu 8,5% no mesmo mês, chegando a R$ 1,7 bilhão.
Para o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze, a diversidade de opções ajuda a sustentar a demanda mesmo diante de custos mais altos.
“Se a passagem aérea encarece, o consumidor escolhe o ônibus; se o hotel pesa no orçamento, opta por uma pousada ou reduz o tempo de estadia. Mas dificilmente deixa de viajar”, afirmou.
A entidade prevê que o mercado de trabalho aquecido, a inflação em níveis mais baixos e o barateamento das passagens aéreas continuarão favorecendo o setor no segundo semestre, principalmente no turismo de lazer.
Porém, alerta para riscos como uma possível desaceleração econômica e os impactos do tarifaço, que podem afetar o segmento corporativo, levando a cancelamentos ou adiamentos de viagens de negócios.
O Rio Grande do Sul registrou a maior alta em junho, com crescimento próximo a 40%, influenciado pela base de comparação devido às enchentes de 2024. Amazonas (13,5%) e Pará (6%) também tiveram desempenho acima da média, impulsionados pelos preparativos para a COP30, que ocorrerá em Belém em novembro.
Já São Paulo faturou R$ 4,3 bilhões no mês, um aumento de 2,9%. Por outro lado, nove estados registraram retração, entre eles Rondônia (-11,3%), Minas Gerais (-7,2%) e Alagoas (-6,2%).

