O mercado imobiliário de João Pessoa vive um momento de expansão nos últimos anos, incluindo a forte chegada de imóveis de alto padrão. No entanto, a realidade de grande parte dos moradores não acompanha essa tendência. Entre 2018 e 2025, o preço real do metro quadrado em João Pessoa acumulou uma alta de 17% acima da inflação, enquanto a renda real da família mediana recuou 2% no mesmo período.
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As informações constam em um estudo produzido pelo Laboratório de Inteligência Artificial e Modelagem Econômica da Universidade Federal da Paraíba (Labimec/UFPB), que cruzou dados do Índice FipeZap com a PNAD Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (UFPB).
Esse desencontro, de acordo com o levantamento, diminuiu o poder de compra da população local. Em 2018, uma família com renda mediana precisava trabalhar 10,5 anos para adquirir um apartamento de 70 m² à vista. Em 2025, esse tempo subiu para 12,5 anos (com preço médio anunciado de R$ 590 mil). Para um imóvel de 50 m² (R$ 422 mil), o esforço necessário passou de 7,5 para 8,9 anos de renda acumulada.
A fatia do aluguel
O impacto é ainda maior no mercado de locação. Em 2025, o aluguel médio de um imóvel de 70 m² na capital atingiu R$ 3.218, um valor que consome 91% da renda mediana das famílias paraibanas (estimada em R$ 3.550). Já a locação de um apartamento de 50 m² (R$ 2.299/mês) exige 65% do orçamento familiar.
O crescimento no comprometimento da renda com moradia foi contínuo nos últimos anos:
- Imóvel de 70 m²: 86% (2022) ➔ 81% (2023) ➔ 82% (2024) ➔ 91% (2025)
- Imóvel de 50 m²: 61% (2022) ➔ 58% (2023) ➔ 59% (2024) ➔ 65% (2025)
Desigualdade
O estudo do Labimec segmentou a população em cinco grupos de renda para demonstrar o impacto da especulação imobiliária. Para a faixa dos 20% mais pobres (renda média de R$ 1.118), são necessários 28,3 anos de trabalho para comprar um imóvel de 50 m². Na outra ponta, os 20% mais ricos (renda média de R$ 21.272) precisam de apenas 1,5 ano.
Na prática, as camadas de menor renda enfrentam um esforço 19 vezes maior do que a população com maior capacidade econômica para adquirir o imóvel próprio.
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Comparação regional
A pesquisa também documentou a mudança do mercado imobiliário da Capital. Em dezembro de 2019, João Pessoa ocupava a 49ª posição entre 50 cidades no ranking de valorização do FipeZap. Em agosto de 2024, alcançou o 1º lugar do Brasil como a cidade com maior valorização imobiliária. Em 2026, o ritmo desacelerou, figurando na 22ª posição entre 56 municípios monitorados.
Apesar do boom de preços, o relatório ressalta que João Pessoa figura como a 4ª capital mais acessível do Nordeste para a compra de imóveis, ficando atrás apenas de Aracaju (7,8 anos de renda), Teresina (9,2) e Natal (9,8). Maceió lidera o ranking de menor acessibilidade da região, exigindo 17,9 anos de renda para um imóvel de 70 m².
Comparativo nacional e internacional
No comparativo internacional ajustado pela inflação desde 2018, o crescimento do preço real dos imóveis em João Pessoa (+18%) superou o desempenho do mercado imobiliário das economias avançadas (+14%), das economias emergentes (-2%) e do próprio Brasil (-7%).
