O Brasil conheceu, com o surgimento do bolsonarismo, um fenômeno político cujas consequências ultrapassaram os limites da disputa pelo poder e invadiram o cotidiano das pessoas. Um movimento que, ao transformar o ódio em instrumento de mobilização política, conseguiu comprometer as relações de amizade e convivência fraterna, rompidas por divergências que, em outros tempos, dificilmente teriam produzido tamanha hostilidade.
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Nunca foi assim na nossa história política. Adversários não eram necessariamente inimigos. Podiam defender projetos diferentes, divergir profundamente e até travar disputas acaloradas, mas havia limites impostos pelo respeito e pela convivência democrática. Não se alimentava, como prática política, o discurso de eliminação de quem pensava diferente.
O bolsonarismo introduziu e disseminou essa lógica de intolerância, estimulando a cizânia e transformando divergências políticas em ressentimentos pessoais. O resultado foi a deterioração de relações humanas que, durante décadas, foram construídas sobre o afeto, a confiança e o respeito mútuo.
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Uma democracia não pode sobreviver plenamente quando o ódio se torna linguagem política e a intolerância passa a orientar as relações entre cidadãos.
Podemos divergir nas urnas, nas ideias e nas escolhas políticas. O que não podemos é permitir que a política nos roube a capacidade de amar, respeitar e conviver com aqueles que pensam diferente.


