“Tesouraço” de Flávio Bolsonaro pode cortar 2,2 milhões de empregos; estudo indica perda de R$ 68,7 bilhões da massa salarial

"Tesouraço" de Flávio Bolsonaro pode eliminar 2,2 milhões de empregos, prevê Dieese. Veja no WSCOM
(Foto: Reprodução)

O “tesouraço” proposto pelo candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), pode acarretar na redução de 2,2 milhões de postos de trabalho. A estimativa é de um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioecômicos (Dieese), solicitado pelas centrais sindicais.

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A proposta do presidenciável se baseia no corte de R$ 194 bilhões, o que equivale a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. De acordo com o estudo, esse movimento geraria a perda de R$ 68,7 bilhões na massa salarial, além de ocasionar o impacto negativo de R$ 203,1 bilhões no primeiro ano de implementação – que seria 2027, caso o senador vença as eleições presidenciais e já implemente a medida.

Somado a isso, o “tesouraço” também iria comprometer parte da economia prometida pelo candidato, considerando que haveria uma queda de R$ 46,8 bilhões na arrecadação estimada de impostos. Dessa forma, haveria também um consumo de 40% da economia bruta prevista com o ajuste inicial.

Cenário otimista

Na melhor das hipóteses levantadas pelo estudo, a economia brasileira teria um pequeno crescimento de 0,91% em 2027. No entanto, esse ritmo seria insuficiente para comportar a entrada de novos trabalhadores no mercado de trabalho.

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Cenário pessimista

O estudo também levanta a possibilidade do país entrar em recessão no ano que vem, com uma queda de cerca de 0,15% do PIB. Já o número de desempregados pode dar um salto para 7,4 milhões de pessoas – fazendo com que a taxa de desemprego fique enrte 6,5% e 7%.

“O resultado seria um mercado de trabalho mais restrito, com menos oportunidades de emprego e perda de renda para milhões de famílias brasileiras”, disse o estudo.

Quem seria mais impactado?

Para viabilizar a meta fiscal proposta pelo candidato do PL, a simulação do Dieese indica que a contenção de despesas precisaria incidir sobre as maiores rubricas do Orçamento da União. De acordo com o mapeamento, 51% da tesourada incidiriam sobre as transferências de renda e benefícios assistenciais, afetando diretamente a Previdência Social, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial.

Além disso, 32% do montante atingiria as despesas discricionárias e investimentos em serviços públicos. Já 17% dos ajustes seriam absorvidos pelas despesas de pessoal e custeio da máquina pública.

Com essa distribuição, a fragilização orçamentária alcançaria prioritariamente aposentados, pensionistas, pessoas com deficiência, idosos de baixa renda, trabalhadores informais e servidores públicos. O estudo alerta ainda que o congelamento em termos reais limitaria a capacidade de investimento do Estado, impedindo o acompanhamento da demanda crescente por serviços essenciais.

Dívida pública

Outro ponto levantado pelo Dieese é que a medida falharia em cumprir seu principal objetivo que é a sustentabilidade da dívida pública em relação ao PIB. A queda na arrecadação tributária devido ao enfraquecimento econômico reduziria o resultado primário efetivo para cerca de R$ 89 bilhões (0,7% do PIB) no primeiro ano de aplicação, consumindo quase 60% do alívio fiscal projetado.

“A conclusão do estudo é que o ‘tesouraço’ pode combinar baixo crescimento econômico, aumento do desemprego, redução da renda dos trabalhadores e aprofundamento das desigualdades econômicas e sociais, sem resolver o problema fiscal que pretende enfrentar”, pontua o relatório.

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