O Nordeste registrou 1.215.298 empresas inadimplentes no mês de agosto, de acordo com dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. A soma das 6.502.418 dívidas contabilizadas pela pesquisa atingiram o patamar de R$ 19,9 bilhões no período.
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Entre os estados, a Bahia concentrou o maior número de empresas negativadas, com 334.893 CNPJs inadimplentes, seguida por Pernambuco (219.090) e Ceará (194.202). Em termos financeiros, o Rio Grande do Norte registrou a maior dívida média por empresa da região (R$ 22.649,84) e também apresentou o maior ticket médio (R$ 3.643,46).
Cenário nacional
Na visão nacional, o número de empresas inadimplentes no Brasil cresceu em agosto de 2026 e chegou a 9,3 milhões de CNPJs, representando uma alta de 14,3% em comparação com o mesmo período em 2025. No período, o total de dívidas inadimplidas chegou a 68,2 milhões, somando R$ 244,4 bilhões. Em média, cada empresa no vermelho acumulou 7,4 contas negativadas, com dívida média de R$ 26.355,13 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.583,96.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a continuidade dos recordes mostra que os cortes realizados na taxa básica de juros ainda não foram suficientes para mudar a dinâmica financeira das empresas.
“A inadimplência empresarial cresce em ritmo menor, mas ainda muito elevado: a variação anual recuou de 28,7% para 14,3%, permanecendo em dois dígitos. Ao mesmo tempo, o número de empresas inadimplentes alcançou o recorde de 9,3 milhões, evidenciando que a redução dos juros ainda não alterou as condições financeiras enfrentadas pelas empresas. O crédito continua caro, o caixa permanece pressionado e o ambiente segue especialmente restritivo para os negócios de menor porte”, explica.
“Mesmo com a Selic ainda em patamar elevado, a demanda das empresas por crédito cresceu 11,2% no acumulado em 12 meses. Ao mesmo tempo, as concessões de capital de giro de curto prazo avançaram 113,9%, indicando que o crédito tem sido utilizado como instrumento de sustentação da liquidez empresarial. Em um contexto de inadimplência recorde, esse movimento parece estar mais associado à necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios”, completa a economista.
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Serviços concentraram 56,0% das empresas inadimplentes
Do total de empresas que estavam negativadas em agosto, 56,0% pertenciam ao setor de “Serviços”. Na sequência apareceram aquelas do “Comércio” (32,0%), “Indústria” (8,0%) e setor “Primário” (0,9%). Outros segmentos representaram 3,1% do total.
Origem das dívidas inadimplidas
Em relação à origem das dívidas, o dado explora a distribuição das 68 milhões de dívidas negativadas na base da Serasa Experian, “Serviços” tem a maior participação (31,7%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,7%). Na sequência apareceram “Cooperativas” (8,5%), “Utilities” (6,7%) e “Telefonia” (6,2%). As instituições financeiras, considerando “Bancos/Cartões” e “Financeiras”, concentraram 24,4% das pendências, enquanto 75,6% estavam fora desse grupo. Confira o detalhamento no gráfico mais abaixo:
“Mais de três quartos dos registros de dívidas negativadas estão relacionados a setores não financeiros. O dado não representa a participação desses setores no valor total das dívidas, mas mostra que as pendências das empresas estão distribuídas entre diferentes tipos de credores. Em um ambiente de menor dinamismo econômico, administrar múltiplos compromissos e preservar o fluxo de caixa torna-se ainda mais desafiador, especialmente para empresas que já acumulam diferentes pendências”, explica a economista-chefe da datatech.
Visão regional
Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume, com destaque para São Paulo (3.173.156), seguido por Minas Gerais (927.374) e Rio de Janeiro (879.915). Na sequência apareceram Paraná (613.012) e Rio Grande do Sul (539.319).
Micro e pequenas empresas concentraram 8,8 milhões de CNPJs inadimplentes
As micro e pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência empresarial no país, chegando a 8,8 milhões de CNPJs negativados. O grupo concentrou 61,4 milhões de dívidas, que somaram R$ 211,0 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 7,0 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.902,98 e ticket médio de R$ 3.435,34.
“Para as micro e pequenas empresas, o desafio hoje vai além do custo do crédito. São negócios que possuem menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de menor crescimento. Quando uma empresa desse porte já carrega, em média, sete dívidas inadimplidas, recuperar o equilíbrio financeiro exige uma reorganização mais ampla do caixa. Por isso, a gestão financeira e o planejamento ganham ainda mais importância neste momento”, conclui Camila.
