O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) pediu nesta terça-feira (20) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso aos autos de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. O caso tramita sob sigilo e mobiliza integrantes da campanha do parlamentar a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais.
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A informação foi divulgada pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil. Segundo a publicação, aliados do candidato demonstram preocupação com a velocidade da tramitação do inquérito e avaliam que eventuais decisões judiciais antes da votação poderão ter repercussão política e eleitoral.
Investigação chegou ao STF em outubro
De acordo com informações relatadas à CNN Brasil por integrantes da campanha, o inquérito foi encaminhado ao Supremo em 8 de outubro e registrado e distribuído à relatoria de Alexandre de Moraes no dia 16 do mesmo mês.
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Aliados de Flávio afirmam que diligências já estariam em andamento antes da abertura de vista ao Ministério Público. Como o procedimento é sigiloso, porém, não é possível verificar publicamente todos os atos processuais nem confirmar a sequência exata das medidas adotadas.
Segundo a reportagem, o Ministério Público autorizou a abertura da investigação. O pedido de acesso apresentado pelo candidato busca permitir que sua defesa conheça os elementos reunidos no procedimento.
Campanha teme repercussões eleitorais
A possibilidade de uma decisão judicial antes do segundo turno é motivo de preocupação entre aliados do senador. A avaliação é de que uma eventual medida poderá repercutir diretamente na campanha, embora não haja confirmação de que Alexandre de Moraes pretenda adotar alguma providência específica nesta semana.
Integrantes do entorno de Flávio também consideram a hipótese de que uma eventual decisão contra o candidato produza efeito político contrário ao esperado. Na avaliação desses aliados, a exposição do ministro durante o primeiro turno teria beneficiado eleitoralmente o senador, cenário que, segundo eles, poderia se repetir na reta final da disputa.
Outra hipótese discutida na campanha é a de que o ministro mantenha o andamento do caso sem adotar medidas imediatas. Segundo a CNN Brasil, alguns aliados especulam que o inquérito poderia ganhar relevância em um eventual cenário de vitória de Flávio, diante da possibilidade de iniciativas no Senado contra Moraes, incluindo um pedido de impeachment.
Essa interpretação, contudo, corresponde a especulações atribuídas a integrantes da campanha. Não há, nas informações divulgadas, comprovação de que o ministro pretenda utilizar a investigação para fins de negociação política.
Caso envolve advogado próximo do candidato
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz, que mantém relação de amizade com Flávio Bolsonaro. Tomaz obteve autorização para operar uma empresa de apostas esportivas durante a gestão do então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
O nome do senador teria aparecido em mensagens trocadas com o advogado, circunstância que, segundo as informações divulgadas, motivou o encaminhamento do caso ao Supremo Tribunal Federal.
A existência de conversas entre os dois, isoladamente, não comprova participação em atividades ilícitas. As informações públicas disponíveis não permitem concluir que Flávio tenha cometido crime relacionado aos fatos investigados.
Aliados do candidato afirmam que as mensagens são compatíveis com a relação de amizade entre ambos e negam envolvimento do senador em irregularidades.
Willer Tomaz nega irregularidades
O advogado também solicitou acesso aos autos da investigação. Em manifestação divulgada à imprensa, negou ter cometido irregularidades e afirmou que pretende prestar os esclarecimentos necessários às autoridades responsáveis pela apuração.
Tomaz reconheceu a relação de amizade com Flávio Bolsonaro e sustentou que esse vínculo pessoal não constitui crime.
Até o momento, os detalhes da investigação permanecem sob sigilo. O acesso solicitado por Flávio e pelo advogado poderá permitir que as respectivas defesas conheçam os elementos reunidos no procedimento, conforme as decisões judiciais aplicáveis.

