O mercado de alimentação e bebidas, principalmente em entregas, é um dos que crescem de forma mais consistente no país. Segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o delivery movimentou R$ 167 bilhões na economia brasileira no ano passado, o que equivale a 0,70% do PIB brasileiro.
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Um dos exemplos da força deste mercado é o desempenho econômico da plataforma brasileira iFood, que atualmente conta com 65 milhões de ativos na plataforma, 500 mil estabelecimentos parceiros e mais de 180 milhões de pedidos por mês.
Os dados oficiais demonstram que cada vez mais estabelecimentos se unem ao gigante setor, no entanto, a mesma apresenta condições que apertam o bolso do empreendedor. Para se juntar à plataforma, o restaurante precisa repassar uma taxa de 15,2% a 26,5%, a depender do plano – fora a mensalidade.
No plano básico, o empreendedor precisa pagar 12% de comissão por pedido e 3,2% na taxa de pagamento online. Neste plano, existe a mensalidade de R$ 110 para estabelecimentos que faturam acima de R$ 1800 por mês.
Já no plano entrega, a comissão por pedido é de 23% e a taxa de pagamento online é de 3,5%. Também há a mensalidade para os restaurantes que vendem mais de R$ 1800 por mês, mas neste plano o valor mensal é de R$ 150.
Outras possibilidades
Como alternativa às altas taxas, novas empresas entraram no mercado de cardápio digital – plataformas que possibilitam que o restaurante receba pedidos, gerencie dados dos clientes e, em alguns casos, tenha controle de estoque e outras funções administrativas.
Observando essa oportunidade do mercado, foi desenvolvido o Pedido Divino. Em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM, a diretoria da empresa – formada por Arthur Bazilio (CPO), Leonardo Feitosa (COO), Geraldo Alves (CTO) e Lucas Vinícius (CEO) – afirmou que o projeto surgiu para “criar uma alternativa que desse ao estabelecimento mais liberdade para vender diretamente aos seus clientes, sem comprometer uma porcentagem de cada pedido”.
“Para exemplificar: considerando uma taxa hipotética de 15% sobre as vendas, um estabelecimento que movimenta R$10 mil no mês teria R$1.500 destinados apenas a essa comissão. No Pedido Divino, a mensalidade continuaria sendo R$59,90. Em um faturamento de R$20 mil, essa mesma taxa representaria R$3 mil, enquanto a mensalidade do Pedido Divino permaneceria em R$59,90”, explicou a empresa.
“É justamente essa diferença que buscamos proporcionar: quanto mais o estabelecimento vende pelo seu próprio canal, maior pode ser a parcela da receita que permanece com ele, sem que a plataforma aumente sua cobrança a cada pedido”, continuou.
O sistema estrutura as escolhas do cliente (produtos, adicionais e pagamentos) e consolida os dados em um painel do gestor. Robôs de atendimento no WhatsApp gerenciam links, cupons e dúvidas frequentes, atualizando o consumidor a cada etapa do preparo.
E ao contrário dos grandes apps, o restaurante mantém acesso direto à sua base de clientes, o que incrementa a base de dados do cliente.
“Isso cria uma oportunidade para ações de fidelização, como comunicação com clientes recorrentes, divulgação de novidades e campanhas direcionadas, sem que o restaurante dependa exclusivamente de uma plataforma de terceiros para se relacionar com quem já compra dele”, explicou a empresa.
Visão de futuro e convivência híbrida no setor
A direção da startup projeta um mercado de delivery em forte expansão para além do segmento de alimentação, abrangendo conveniências, farmácias e serviços em geral. No horizonte do setor, a empresa aposta em um modelo híbrido de negócios, no qual os grandes marketplaces continuam atuando como vitrines para atração de novos consumidores, enquanto as plataformas próprias assumem a fidelização e a retenção das margens de lucro.
“Nesse cenário, um restaurante poderia continuar utilizando plataformas como iFood e 99Food para alcançar novos clientes, enquanto também teria seu próprio canal através do Pedido Divino. O objetivo seria facilitar a gestão de todos esses canais e dar ao estabelecimento mais liberdade para escolher como quer vender e se relacionar com seus clientes”, concluiu a empresa.
