Eu faço parte dos 14 milhões de brasileiros que podem ajudar a decidir a eleição presidencial deste ano. E considero essa uma responsabilidade histórica: contribuir, com o voto, para impedir que o Brasil volte às mãos daqueles que ameaçam a democracia, defendem interesses entreguistas e demonstram disposição para submeter a soberania nacional a interesses estrangeiros.
Somos cidadãos e cidadãs com mais de 70 anos. A lei nos dispensa da obrigatoriedade do voto, mas não nos dispensa da responsabilidade diante da História. Podemos não ser obrigados a comparecer às urnas, mas temos o dever moral e cívico de participar de uma escolha que poderá definir os rumos do Brasil no dia 4 de outubro.
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Podemos falar sobre o risco de ruptura democrática porque nós já vivemos uma ruptura democrática. Éramos jovens quando fomos surpreendidos pelo golpe militar de 1964, que mergulhou o país em 21 anos de ditadura. Conhecemos, na própria pele ou muito de perto, a repressão, a censura, o medo, as perseguições e as punições arbitrárias. Sabemos o preço que uma sociedade paga quando a democracia é sufocada. Por isso, temos autoridade para dizer: não queremos que essa história se repita.
Temos também a obrigação de alertar as novas gerações, especialmente aqueles que não viveram os anos de chumbo, para que compreendam que a democracia não é uma conquista definitiva. Ela precisa ser permanentemente defendida.
E o que torna ainda mais grave a tentativa recente de ruptura institucional é que, segundo as investigações e decisões judiciais, não se tratava apenas de discursos inflamados ou ameaças retóricas. Foram identificados planos para assassinar o presidente da República e seu vice, legitimamente eleitos, além de um ministro do Supremo Tribunal Federal que atuava no processo relacionado aos articuladores da tentativa de golpe. .Isso revela até onde alguns setores estavam dispostos a chegar para impedir o funcionamento normal das instituições democráticas.
Nós, os velhinhos e velhinhas, como alguns gostam de nos chamar, não estamos dispostos a assistir passivamente à repetição dessa tragédia. Somos brasileiros que carregam na memória as marcas de um período que não queremos reviver. E justamente por isso vamos às urnas, voluntariamente, para cumprir uma missão que consideramos maior do que qualquer conveniência pessoal: defender a democracia brasileira.
O nosso compromisso não é apenas com um candidato. É com um princípio. É com o Estado Democrático de Direito. É com a liberdade. É com a soberania nacional. É com o direito de o povo brasileiro decidir, sem tutelas externas, o seu próprio destino. O Brasil é dos brasileiros.
Não podemos aceitar que potências estrangeiras se considerem autorizadas a interferir na definição do nosso futuro, muito menos que brasileiros se ofereçam como instrumentos dessa interferência. Não aceitaremos projetos que coloquem nossas riquezas naturais, nossos interesses estratégicos ou nossa soberania à disposição de interesses estrangeiros.
Nas urnas, rejeitaremos os entreguistas, os reacionários, os autoritários e todos aqueles que enxergam a democracia como um obstáculo aos seus projetos de poder.
Nossa experiência de vida nos dá uma responsabilidade que não podemos abandonar: despertar a consciência crítica de nossos filhos, netos e bisnetos; preservar a memória de um passado que custou caro ao país; e impedir que o Brasil volte a caminhar na direção do autoritarismo.
Nós já vivemos uma ditadura. Não queremos viver outra. Queremos avançar, não retroceder.
Queremos um Brasil mais justo, menos desigual e socialmente mais solidário. Queremos um país que tenha orgulho de sua independência, que dialogue com o mundo sem se submeter a ninguém e que seja capaz de defender seus interesses com altivez.
Aos 70, 80 ou 90 anos, talvez já tenhamos vivido boa parte da nossa história. Mas ainda temos uma missão a cumprir. Deixar para as próximas gerações um Brasil democrático, soberano e livre.
E é por isso que, mesmo não sendo obrigados a votar, nós vamos votar. Vamos votar pela democracia. Vamos votar pela soberania. Vamos votar pelo futuro do Brasil.

