Flávio Bolsonaro (PL) decidiu não participar do debate presidencial da Globo nesta quinta-feira após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impedir que o púlpito reservado a Lula (PT), que não participará do encontro, fosse exibido vazio durante a transmissão. A determinação foi dada pela ministra Estela Aranha, que também proibiu perguntas direcionadas ao presidente durante o debate.
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A ausência de Flávio foi anunciada pelo próprio candidato nas redes sociais. Em publicação no X, ele afirmou que não compareceria ao encontro por considerar a decisão do TSE uma censura.
“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu.
Até a decisão judicial, a campanha de Flávio trabalhava com a presença do candidato mesmo diante da ausência de Lula. Entre as estratégias preparadas estava a possibilidade de explorar o púlpito vazio do petista e transformar a ausência dele em um dos principais assuntos do confronto.
A mudança determinada pelo TSE retirou essa possibilidade. Aliados de Flávio passaram a defender a desistência depois que a decisão se tornou pública. Segundo o texto, integrantes da campanha classificaram a medida como uma forma de “censura”, enquanto outros falaram em um “circo armado” para beneficiar Lula. O próprio candidato adotou o argumento ao justificar sua ausência.
O que decidiu a ministra
Estela Aranha considerou que a participação em debates eleitorais é facultativa. Para a ministra, o fato de as campanhas terem concordado previamente com as regras do encontro não transforma a presença dos candidatos em uma obrigação.
A decisão também levou em conta a possibilidade de manifestações dirigidas exclusivamente a um candidato que não estivesse presente. Na avaliação da ministra, sem que Lula tivesse a possibilidade de responder ou fazer uma contraposição durante o debate, esse formato poderia gerar desequilíbrio entre os concorrentes.
Outro ponto questionado foi a exposição repetida do espaço vazio acompanhado do nome de Lula. Estela avaliou que esse destaque poderia produzir efeitos além de simplesmente informar o eleitor sobre a ausência do candidato.
A proximidade entre o debate e o primeiro turno também foi considerada. Conforme a decisão, uma eventual análise posterior não necessariamente conseguiria reparar efeitos produzidos durante uma transmissão ao vivo que não poderia ser repetida.
A liminar prevê multa caso a emissora descumpra as determinações. A decisão ainda pode ser submetida ao plenário do TSE, inclusive em sessão virtual, caso haja tempo hábil.
Estratégia da campanha
A equipe de Flávio havia preparado o senador para diferentes possibilidades no debate e chegou a treinar formas de explorar a ausência de Lula. A utilização do púlpito vazio estava entre os recursos considerados para o confronto.
O candidato também vinha sendo preparado para um possível embate com Renan Santos, do Missão, cuja participação no debate chegou a ser ventilada. Entre aliados de Flávio, havia a expectativa de que Renan adotasse uma postura mais dura contra o senador.
Além de Flávio e Renan, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) estavam previstos no debate. A campanha do candidato do PL trabalhava ainda com a possibilidade de que os adversários de direita concentrassem parte relevante das críticas em Lula e no governo, deixando Flávio em segundo plano.
Com a desistência, Flávio ficou fora do último debate presidencial antes do primeiro turno.
Púlpitos vazios
A decisão do TSE também alterou uma regra que, segundo o texto, havia sido acordada previamente com representantes das campanhas, inclusive a de Lula. A manutenção dos espaços vazios de candidatos ausentes também seguia uma tradição de debates eleitorais no país.
No primeiro debate presidencial deste ciclo, realizado pela Band em agosto, os púlpitos destinados a Lula, Flávio e Zema permaneceram vazios depois que os três candidatos decidiram não participar do encontro.