PF apura financiamento do BRB usado por Flávio Bolsonaro na compra de mansão

Empréstimo de R$ 3,1 milhões para imóvel de quase R$ 6 milhões está entre os pontos analisados no inquérito sobre a relação entre BRB e Banco Master

A “tática diversionista” adotada pelo candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, para tentar desviar a atenção de seu envolvimento no caso Dark Horse dificilmente produzirá os efeitos que deseja. Passados mais de três meses desde a revelação de seu pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente destinado ao financiamento de um filme biográfico sobre seu pai, e diante da ausência, até agora, de documentação capaz de demonstrar de forma convincente a aplicação dos R$ 61 milhões recebidos, o candidato responde às indagações dizendo que o assunto é “página virada” e que quem deve prestar contas é Lula. Siga o canal do WSCOM no Whatsapp. Como assim? O que o presidente Lula tem a ver com as questões que envolvem Flávio Bolsonaro? Recorre-se, mais uma vez, à velha estratégia de responder às acusações dirigindo a pergunta para outro lado: “E o Lula?”. É como se a simples menção ao presidente fosse suficiente para apagar as dúvidas existentes. Não é. O assunto não pode ser considerado página virada enquanto permanecerem sem respostas perguntas fundamentais. O romance ainda está nas primeiras páginas, e há muito conteúdo a ser conhecido. Talvez seja justamente isso que incomode: a possibilidade de que as páginas seguintes revelem informações que não sejam bem recebidas por aqueles que defendem o candidato. As questões continuam à espera de esclarecimentos. Qual foi o roteiro do dinheiro recebido? Como os recursos foram efetivamente aplicados? Por que parte do dinheiro teria sido enviada para uma conta nos Estados Unidos administrada por um advogado ligado a seu irmão, que enfrenta problemas com a Justiça ? São perguntas que não podem ser respondidas simplesmente com um “e o Lula?”. Quem pretende disputar o mais importante cargo da República precisa assumir a responsabilidade de esclarecer fatos que lhe dizem respeito. A candidatura exige, além de discursos e promessas, transparência e disposição para prestar contas. Enquanto essas perguntas permanecerem sem respostas convincentes, a chamada “página virada” continuará aberta. A tática diversionista, portanto, não resolve o problema. Apenas tenta mudar o foco daquilo que realmente precisa ser esclarecido.

A Polícia Federal passou a analisar as condições do financiamento concedido pelo Banco de Brasília (BRB) ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para a compra de uma mansão em Brasília. O imóvel foi adquirido por cerca de R$ 6 milhões, sendo R$ 3,1 milhões financiados pela instituição financeira.

O empréstimo foi contratado em 2021, com prazo previsto de 30 anos. Conforme documentos do negócio, a taxa efetiva aplicada ao financiamento foi de 3,71% ao ano. Na época, as condições da operação já haviam sido questionadas e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios abriu procedimento para verificar se o crédito havia sido concedido dentro dos critérios normalmente utilizados pelo banco.

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Agora, segundo a reportagem citada, os investigadores analisam informações relacionadas a uma auditoria independente contratada pelo próprio BRB. A apuração busca esclarecer as circunstâncias da concessão do crédito e verificar se houve flexibilização das regras da instituição.

O financiamento foi realizado durante a gestão de Paulo Henrique Costa à frente do BRB. Costa está atualmente preso no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. A PF também investiga as relações entre o Master e o banco público do Distrito Federal.

Financiamento

O imóvel adquirido por Flávio Bolsonaro e sua mulher, Fernanda Bolsonaro, foi registrado pelo valor de R$ 5,97 milhões. Do total, R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB em 360 parcelas. Documentos divulgados à época registraram taxa nominal de 3,65% ao ano e taxa efetiva de 3,71%.

Segundo informações divulgadas em 2021, para obter a taxa reduzida o contrato previa a portabilidade do salário para o BRB e a contratação de produtos bancários. Caso essas condições fossem interrompidas, a taxa poderia ser alterada para uma modalidade mais elevada.

Quando a operação veio a público, Flávio Bolsonaro afirmou que tinha capacidade financeira para assumir as parcelas e atribuiu sua renda a diferentes fontes. O senador também negou irregularidades relacionadas à aquisição do imóvel.

Apesar do prazo contratual de 30 anos, o financiamento de R$ 3,1 milhões teria sido quitado antecipadamente, cerca de três anos após a contratação.

A análise da PF ainda deve esclarecer se as condições concedidas ao senador seguiram os critérios internos do BRB e se houve algum tratamento diferenciado na operação.

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