A Polícia Federal passou a analisar as condições do financiamento concedido pelo Banco de Brasília (BRB) ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para a compra de uma mansão em Brasília. O imóvel foi adquirido por cerca de R$ 6 milhões, sendo R$ 3,1 milhões financiados pela instituição financeira.
O empréstimo foi contratado em 2021, com prazo previsto de 30 anos. Conforme documentos do negócio, a taxa efetiva aplicada ao financiamento foi de 3,71% ao ano. Na época, as condições da operação já haviam sido questionadas e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios abriu procedimento para verificar se o crédito havia sido concedido dentro dos critérios normalmente utilizados pelo banco.
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Agora, segundo a reportagem citada, os investigadores analisam informações relacionadas a uma auditoria independente contratada pelo próprio BRB. A apuração busca esclarecer as circunstâncias da concessão do crédito e verificar se houve flexibilização das regras da instituição.
O financiamento foi realizado durante a gestão de Paulo Henrique Costa à frente do BRB. Costa está atualmente preso no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. A PF também investiga as relações entre o Master e o banco público do Distrito Federal.
Financiamento
O imóvel adquirido por Flávio Bolsonaro e sua mulher, Fernanda Bolsonaro, foi registrado pelo valor de R$ 5,97 milhões. Do total, R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB em 360 parcelas. Documentos divulgados à época registraram taxa nominal de 3,65% ao ano e taxa efetiva de 3,71%.
Segundo informações divulgadas em 2021, para obter a taxa reduzida o contrato previa a portabilidade do salário para o BRB e a contratação de produtos bancários. Caso essas condições fossem interrompidas, a taxa poderia ser alterada para uma modalidade mais elevada.
Quando a operação veio a público, Flávio Bolsonaro afirmou que tinha capacidade financeira para assumir as parcelas e atribuiu sua renda a diferentes fontes. O senador também negou irregularidades relacionadas à aquisição do imóvel.
Apesar do prazo contratual de 30 anos, o financiamento de R$ 3,1 milhões teria sido quitado antecipadamente, cerca de três anos após a contratação.
A análise da PF ainda deve esclarecer se as condições concedidas ao senador seguiram os critérios internos do BRB e se houve algum tratamento diferenciado na operação.