A decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal e o responsável pelo setor de inteligência da instituição provocou comemorações na extrema direita e, naturalmente, também entre os acusados no inquérito que investiga o caso Banco Master. A repercussão política da medida é inegável e ocorre justamente em um ano eleitoral, quando qualquer movimento dessa natureza pode produzir consequências relevantes na disputa pela Presidência da República.
Começam, por isso, a surgir suspeitas de que tudo possa fazer parte de uma estratégia destinada a provocar a anulação do inquérito, hipótese que, se confirmada, beneficiaria diretamente o candidato do Partido Liberal apontado como um dos personagens politicamente mais interessados no desfecho do caso, pelos motivos que o Brasil já conhece.
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O risco é evidente: uma eventual invalidação das investigações poderia resultar, na prática, na blindagem não apenas desse candidato, mas também de outros políticos aliados, impedindo que sejam devidamente apuradas suas eventuais responsabilidades em um dos mais graves escândalos financeiros de nossa história recente.
É preciso dizer, entretanto, que essas são suspeitas que precisam ser rigorosamente investigadas. O que não se pode ignorar são os questionamentos sobre a condução do inquérito, especialmente diante de alegações de omissões e de uma possível seletividade nas linhas de investigação. Se tais suspeitas forem confirmadas, estaremos diante de algo muito mais grave do que uma simples divergência processual: estaremos diante do uso de instrumentos da Justiça com possíveis consequências políticas e eleitorais.
Causar um incêndio na República sempre foi uma das táticas daqueles que, incapazes de vencer o debate democrático, apostam na crise institucional como caminho para alcançar seus objetivos.
Tudo isso começa a lembrar, perigosamente, o roteiro da Operação Lava Jato. O Brasil já conhece as consequências de investigações contaminadas por interesses políticos: processos anulados, enormes prejuízos econômicos e um profundo desgaste das instituições democráticas. O país não merece reviver aquele episódio.
O que está em jogo agora não é apenas o destino de um inquérito. É a credibilidade das instituições, a independência das investigações e o direito da sociedade de conhecer toda a verdade sobre um escândalo que não pode ser submetido às conveniências de uma eleição.
Quando o incêndio é provocado deliberadamente, o incendiário pouco se importa com o tamanho das chamas. Para alcançar seus objetivos políticos, pode estar disposto a colocar fogo em tudo, inclusive nas próprias instituições da República.

