Neste primeiro dia de setembro, eis que mais um levantamento minucioso é apresentado pela Ativaweb DataLab, através do site da Revista NORDESTE, expondo a realidade extraída das redes sociais sobre os fatos e personagens do momento.
Brasília decidiu começar setembro sem aquecimento: Renan Santos no centro de uma crise político-jurídica, o TSE prestes a discutir os limites da inteligência artificial nas eleições e uma pesquisa Real Time Big Data colocando Augusto Cury com 11%. O detalhe estratégico é que, no caso de Cury, o digital já vinha avisando antes: o crescimento abrupto de audiência, engajamento e atenção precedeu a alta nas pesquisas. Enquanto isso, André Mendonça abre nova frente no caso Master, e Lula e Flávio disputam a confiança do mercado. Setembro começou e o algoritmo nem esperou o café.
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Toffoli tentou tirar Renan do palco. O digital acendeu os holofotes
A decisão de Dias Toffoli proibindo Renan Santos de participar de debates e de fazer propaganda eleitoral digital colocou o candidato no centro da eleição. Renan classificou a medida como “absurdo jurídico” e anunciou recurso. Mas, politicamente, o efeito mais importante veio de fora dos autos: a decisão virou narrativa de confronto, liberdade de expressão e interferência eleitoral.
Segundo levantamento da Ativaweb DataLab, o episódio ultrapassou 4,3 milhões de menções nas primeiras quatro horas no Instagram e no X.
“Na política digital, tentar tirar alguém do palco pode ser exatamente o que coloca todos os holofotes sobre ele.”
A decisão era jurídica. A resposta virou campanha
A repercussão do caso mostra uma característica importante da eleição de 2026: decisões institucionais não permanecem mais restritas aos tribunais. Elas são rapidamente reinterpretadas por influenciadores, comunidades políticas e apoiadores.
O assunto deixou de ser apenas a situação jurídica de Renan e passou a envolver conceitos de enorme apelo emocional: censura, liberdade de expressão, Judiciário e o direito de participar da eleição.
“O processo anda no tempo da Justiça. A narrativa anda no tempo do compartilhamento.”
O digital deu o sinal. A pesquisa chegou depois
A pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta manhã, colocou Augusto Cury com 11%. O número reforça uma movimentação que o digital já mostrava antes de aparecer com essa força nas pesquisas.
Após o debate da Band, Cury saltou de 8,339 milhões de seguidores para 10,809 milhões — um crescimento de aproximadamente 2,47 milhões em seis dias, acompanhado também por uma forte aceleração do engajamento.
Aqui está o principal achado: não foi a pesquisa que revelou o primeiro movimento. O comportamento digital já mostrava o deslocamento de atenção antes.
“Cury não apareceu primeiro na pesquisa. Apareceu primeiro no algoritmo — a pesquisa apenas chegou depois.”
11% mudam o status de Cury: de curiosidade para problema dos adversários
Até poucos dias atrás, Augusto Cury podia ser tratado como fenômeno digital ou novidade eleitoral. Com 11%, essa leitura começa a mudar.
Ele passa a ocupar espaço relevante fora da polarização principal e, principalmente, passa a disputar algo precioso: o eleitor que ainda procura alternativa.
O crescimento também explica por que adversários começam a observar com mais atenção sua estrutura digital, influenciadores e capacidade de distribuição.
“A terceira via não precisa nascer numa reunião partidária. Em 2026, ela pode nascer primeiro na disputa pela atenção.”
Agora vem o teste mais difícil para Cury: sustentar
Depois da explosão registrada no fim de agosto, o perfil de Cury começou a apresentar pequenas perdas líquidas de seguidores.
Isso não invalida o movimento anterior, apenas muda a pergunta estratégica. Antes era: até onde ele consegue crescer? Agora é: quanto desse crescimento consegue permanecer, mobilizar e virar organização política?
“Explodir no algoritmo chama atenção. Sustentar o algoritmo começa a exigir campanha.”
Hoje o TSE vai tentar explicar para a IA o que é deepfake
O TSE começa a analisar nesta terça-feira os limites do uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais, em julgamento relacionado a conteúdo produzido com IA envolvendo Jair Bolsonaro na convenção de Flávio Bolsonaro.
A importância vai muito além de um único vídeo. A decisão pode estabelecer critérios sobre quando o conteúdo sintético passa a ser considerado *deepfake* eleitoral e orientar outros processos semelhantes. Mais de 50 ações na Justiça Eleitoral podem ser afetadas pelo entendimento adotado.
“Em 2026, o juiz eleitoral talvez precise entender tanto de jurisprudência quanto de prompt.”
A grande dificuldade do TSE: IA não é sinônimo de deepfake
Esse será provavelmente um dos debates técnicos mais delicados da eleição. Nem todo conteúdo criado por inteligência artificial busca enganar. O problema começa quando a manipulação é capaz de induzir o eleitor a acreditar que alguém fez, falou ou apoiou algo que nunca aconteceu.
E existe uma segunda dificuldade: numa sociedade organizada por bolhas, uma falsidade não precisa convencer todo mundo. Basta encontrar a comunidade certa predisposta a acreditar nela.
“A desinformação não precisa ser verdade para todos. Precisa parecer verdade para o grupo certo.”
Mendonça puxou mais um fio do caso Master. E o novelo não parece pequeno
André Mendonça pediu informações à PGR sobre mensagem atribuída a Daniel Vorcaro enviada a Alexandre de Moraes e que menciona a necessidade de “proteção” envolvendo Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.
O ponto jurídico exige cautela: pedido de informações não significa comprovação de irregularidade. Mas, politicamente, a combinação de Banco Master, STF, PGR e Polícia Federal possui enorme potencial de repercussão.
“Em Brasília, algumas palavras precisam de contexto. ‘Proteção’ definitivamente é uma delas.”
Lula e Flávio descobriram uma nova rede social: a Faria Lima
Com encontros reservados com empresários, bancos e representantes do mercado, Lula e Flávio Bolsonaro começam outra disputa paralela à eleição tradicional: quem transmite maior previsibilidade econômica.
A eleição começa a sair apenas do terreno ideológico e a entrar mais profundamente em responsabilidade fiscal, juros, investimentos e confiança.
“No Instagram se disputa engajamento. Com o mercado se disputa previsibilidade.”
Lula passou três horas no jantar. A conta fiscal continuou na mesa
Em encontro com empresários, Lula negou atritos com Gabriel Galípolo e ouviu preocupações na área fiscal.
A economia tende a ganhar peso crescente porque chega ao eleitor de maneira muito mais simples do que qualquer debate técnico: supermercado, juros, crédito, emprego e endividamento.
“Eleição não acontece dentro de uma planilha. Acontece quando o eleitor passa o cartão.”
Pacheco pode trocar o Senado pelo TCU. Em Brasília, mudar de poder às vezes é só mudar de gabinete
Davi Alcolumbre indicou Rodrigo Pacheco para a vaga no Tribunal de Contas da União aberta após a saída de Bruno Dantas.
A indicação ainda precisa percorrer o processo institucional, mas representa uma movimentação importante na reorganização de forças em Brasília.
“Em Brasília, algumas despedidas da política terminam numa cadeira ainda mais estratégica.”
Leitura estratégica Ativaweb DataLab
O Radar começa setembro com um sinal importante: o digital está deixando de ser apenas consequência da política e passando a funcionar como sensor antecipado de movimentos políticos.
Cury é o melhor exemplo desta manhã. O crescimento digital aconteceu primeiro; depois veio a pesquisa registrando 11%. Isso não significa que seguidores sejam votos — não são. Mas quando crescimento, engajamento, buscas, circulação de conteúdo e pesquisa caminham na mesma direção, o dado digital deixa de ser simples audiência e passa a merecer leitura política.
O caso Renan mostra outra face desse fenômeno: uma decisão judicial pode gerar um movimento digital muito maior do que o acontecimento original.
Audiência não é voto, mas atenção é o território onde a disputa pelo voto começa.
Termômetro digital do dia
- Renan Santos × Toffoli — Muito Alto: Indignação + eleição + Judiciário + liberdade de expressão = combinação extremamente mobilizadora.
- Augusto Cury + 11% — Muito Alto: A pesquisa confirma uma tendência que já vinha sendo percebida digitalmente e tende a alimentar ainda mais cobertura e curiosidade.
- TSE + IA + Deepfakes — Muito Alto: Qualquer decisão terá repercussão imediata nas campanhas e poderá virar referência para toda a eleição.
- Master / Mendonça / PGR — Muito Alto: Novos documentos ou manifestações institucionais podem rapidamente ampliar o assunto.
- Lula × Flávio no mercado — Alto: Menos viral, mas estratégico para empresários, formadores de opinião e percepção econômica.
Bastidores de Brasília
- No TSE: O julgamento sobre inteligência artificial merece atenção máxima. Pode nascer hoje uma referência jurídica importante para o restante da campanha.
- Na campanha de Renan: A tendência é transformar a decisão de Toffoli em combustível político e digital.
- Na campanha de Cury: O desafio agora muda. Ele precisa provar que consegue converter crescimento digital e 11% em sustentação eleitoral e estrutura política.
- Na polarização: Lula e Flávio continuam favoritos a ocupar o eixo central, mas começam a ter que olhar para um terceiro ator com mais cuidado.
Alerta Ativaweb
- Tema que pode crescer durante o dia: TSE e limites para uso de inteligência artificial.
- Personagem com maior potencial de mobilização: Renan Santos.
- Movimento eleitoral para acompanhar: Augusto Cury após chegar aos 11%.
- Risco de crise digital: Novos desdobramentos do caso Master ou novas decisões judiciais relacionadas à campanha de Renan.
O achado desta manhã
O digital antecipou Cury. A Justiça impulsionou Renan. E o TSE hoje tenta estabelecer as regras do ambiente onde os dois fenômenos estão acontecendo.
“Pesquisa eleitoral fotografa o momento. O digital acompanha o movimento acontecendo.”
Ativaweb DataLab. Inteligência de dados para compreender uma sociedade em movimento.
