Educação: candidatos ao Governo da Paraíba apresentam propostas que vão do ensino integral ao livre acesso às universidades

Planos dos candidatos apresentam diagnósticos e soluções diferentes para problemas como alfabetização, evasão escolar, infraestrutura, valorização dos professores, ensino técnico e acesso ao ensino superior

Estudantes com mochilas escolares
Foto: Imagem ilustrativa/iStock

A educação é um dos temas presentes nos programas de governo dos candidatos ao Governo da Paraíba nas eleições de 2026. Os documentos apresentam medidas que vão desde a ampliação do ensino integral e investimentos em tecnologia até mudanças no modelo de ingresso nas universidades públicas.

Entre os candidatos estão Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL), Yuri Ezequiel (Unidade Popular), Camilo Duarte (PCO) e Lucas Ribeiro (PP).

Cícero Lucena propõe reduzir evasão e ampliar uso de tecnologia

O plano de governo de Cícero Lucena (MDB) estabelece como meta tornar a Paraíba, até 2030, a melhor rede pública de educação do Nordeste e uma das cinco melhores entre os estados brasileiros.

O programa parte de três problemas principais: crianças que chegam ao fim do ciclo de alfabetização sem domínio da leitura e da escrita, adolescentes que deixam a escola antes de concluir o ensino médio e desigualdades no acesso à tecnologia entre a capital e o interior.

Entre as metas apresentadas estão alfabetizar todas as crianças até o fim do segundo ano, reduzir a evasão escolar em pelo menos 50% e diminuir o analfabetismo entre jovens e adultos.

O candidato também propõe ampliar a educação profissional, instalar duas escolas agrotécnicas estaduais, em Uiraúna e Umbuzeiro, e construir uma escola de ensino médio integral no Complexo Habitacional Aluízio Campos, em Campina Grande.

A tecnologia aparece como outro eixo importante do programa. O plano prevê distribuição progressiva de equipamentos aos estudantes, internet pedagógica nas escolas, ambientes de robótica, impressão 3D e uso de inteligência artificial no ensino.

Também estão previstas medidas como climatização das escolas, instalação de energia solar, concursos públicos, um novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração e residência docente.

Para a UEPB, Cícero propõe manter a autonomia financeira da instituição, regularizar os repasses e ampliar investimentos em ensino, pesquisa, extensão e infraestrutura.

Efraim Filho coloca aprendizagem e tempo integral entre as prioridades

No plano de Efraim Filho (PL), o diagnóstico aponta que a Paraíba avançou na oferta de ensino em tempo integral e na redução do abandono escolar, mas ainda apresenta dificuldades de aprendizagem, especialmente em matemática e língua portuguesa.

O programa também cita a distorção idade-série, desigualdades na infraestrutura das escolas e dificuldades enfrentadas pelos profissionais da educação.

A proposta é concentrar a gestão no acompanhamento da aprendizagem, com indicadores por escola, avaliações periódicas e pesquisas de clima escolar.

O candidato também defende ampliar o tempo integral, climatizar e equipar as unidades escolares e ampliar a conectividade.

Na formação dos estudantes, o plano prevê alfabetização na idade certa, fortalecimento do ensino técnico integrado e formação continuada dos professores.

Outro ponto destacado é a tentativa de aproximar o currículo das demandas do mercado de trabalho e de ampliar a integração entre ensino superior e educação básica.

Yuri Ezequiel, da Unidade Popular, propõe mudanças no acesso ao ensino superior

O programa da Unidade Popular, cujo candidato ao Governo da Paraíba é Yuri Ezequiel, apresenta uma abordagem diferente das demais propostas.

O partido defende que a educação seja tratada como direito universal e propõe aumentar a participação da educação no orçamento estadual, estabelecendo como referência 10% do orçamento exclusivamente para a educação pública.

Uma das principais propostas é acabar com o vestibular e com a exigência do Enem para ingresso nas instituições estaduais. O programa prevê ainda vagas automáticas na UEPB e nas escolas técnicas para estudantes que concluírem a educação básica na rede pública.

O documento também defende o fim do lucro no setor educacional e uma ampliação do papel do Estado na oferta de ensino público.

Camilo Duarte, do PCO, defende livre ingresso e controle da comunidade escolar

O programa apresentado por Camilo Duarte (PCO) tem uma característica diferente dos demais: o partido afirma que não participa das eleições para apresentar promessas tradicionais de governo. O documento eleitoral é apresentado como um programa de reivindicações políticas ligado à organização dos trabalhadores.

Na área da educação, o PCO defende mais recursos para o ensino público e afirma que as verbas públicas devem ser destinadas exclusivamente a esse setor.

Entre as propostas está o fim dos vestibulares e o livre ingresso nas universidades. O programa também defende a estatização do ensino pago.

Para as escolas, a proposta é que diretores e demais cargos de gestão sejam escolhidos por eleição direta. Nas universidades, o partido propõe um modelo de gestão envolvendo estudantes, professores e funcionários.

O programa estabelece ainda um piso salarial nacional para professores de pelo menos R$ 8,5 mil e jornada de trabalho de, no máximo, 30 horas semanais.

O PCO também se posiciona contra a proibição do uso de celulares nas escolas e defende o fim do que classifica como censura no ambiente educacional.

Lucas Ribeiro e Lígia Feliciano priorizam permanência e reforço da aprendizagem

O plano de Lucas Ribeiro e Lígia Feliciano concentra as propostas educacionais em medidas relacionadas à permanência dos estudantes, aprendizagem e estrutura da rede.

O programa prevê busca ativa de alunos, reforço escolar, tutoria acadêmica e maior integração entre escolas, famílias e serviços de proteção social.

Na área dos profissionais, estão previstas ações de formação continuada, fortalecimento das carreiras, atenção à saúde mental e ampliação do quadro de professores conforme a necessidade da rede.

O plano também propõe modernização das escolas, ampliação das Salas do Amanhã Digital e melhorias na distribuição de materiais e alimentação escolar.

Para o ensino médio, a proposta inclui expansão do ensino técnico e profissional e dos modelos de Escola Cidadã Integral e Escola Integral Cidadã Técnica.

Na UEPB, o programa prevê fortalecimento da autonomia da universidade e ampliação de investimentos em ensino, pesquisa, extensão e inovação. Também aparece a proposta de criação do Passe Livre Universitário.

O candidato Pedro Coutinho (DC) não dispobinilizou o seu plano de governo na plataforma DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral.

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