A história do trem entre nós (2)

O intelectual Ramalho Leite já ocupou importantes funções públicas no Estado da Paraíba, tendo sido inclusive superintendente do Jornal A União (Foto: Evandro Pereira)

Vimos que o ramal ferroviário que pretendia atingir a cidade de Picuí e dali a área seca do Rio Grande do Norte foi entregue à Inspetoria Federal das Obras Contra as Secas uma vez que fora abandonada pela Great Western, por ausência de contrato. Refeito o contrato, o trecho de dez quilômetros entre a estação de Borborema e a Boca do Túnel foi novamente entregue à companhia inglesa, no ano de 1922. A partir do túnel em construção, a estrada de ferro era responsabilidade do governo federal, através do IFOCS.

A história registra que Celso Columbono da Costa Cirne, ex-prefeito de Bananeiras e deputado em 1912, genro do comendador Felinto Rocha, aquele do “aqui eu quero, posso e mando”, conseguiu elaborar um projeto para fazer o trem chegar ao distrito de Moreno, hoje Solânea, sem passar por Bananeiras. Seu cunhado, Sólon de Lucena, reagiu e proclamou “o trem chegará em Bananeiras, nem que seja por debaixo da terra”. E assim foi feito. A construção do túnel da Serra da Viração demorou dez anos e, somente em julho de 1925 o trem, oficialmente, aportou em Bananeiras para ficar até 1967.

Em julho de 1913 foi inaugurada a estação de Borborema. Até que o túnel fosse inaugurado dando passagem para Bananeiras, esse distrito que se chamou Camucá foi a parada final do trem. Depois, o terminal ficou sendo a estação de Manitú e, por fim, a estação provisória da Boca do Túnel. Esse trecho, entre Borborema e a Boca do Túnel foi festivamente entregue em outubro de 1922. A propósito, o Jornal do Comercio, do Recife, publicou: “Realizou-se ontem, festiva e solenemente a inauguração de um trecho da estrada de ferro da Great Western, ligando a povoação de Borborema à cidade de Bananeiras”.

O presidente do Estado, dr. Sólon de Lucena foi representando pelo secretário de Estado Álvaro de Carvalho. Diz o jornal A União: “O dr. Álvaro de Carvalho e sua comitiva fizeram excelente viagem, chegando a Borborema as dez horas, no meio das mais entusiásticas aclamações.

Após o almoço na casa do cel. Barôncio Lucena, o dr. Álvaro de Carvalho tomou o trem para inaugurar o trecho de prolongamento da linha da Great Western até a estação do Túnel. Depois da inauguração desse trecho, prosseguiu-se a viagem para Bananeiras. Nessa cidade, a hospedagem foi na casa do prefeito cel. Leopoldo Bezerra”. (O prefeito Leopoldo era bisavô do atual prefeito da Capital, seu homônimo Leo Bezerra)

O trem ultrapassaria o túnel em julho de 1923 e aportaria em Bananeiras, de forma provisória. É que uma invernada de fevereiro de 1924 destruiu a ponte de Cobé sobre o rio Paraíba, interrompendo a passagem do comboio em direção a Bananeiras, atrasando ainda mais a inauguração oficial da Estação Bananeiras, fato que veio a ocorrer somente em 30 de julho de 1925. Antes, em novembro de 1924, também em caráter provisório, chegou a Bananeiras um primeiro trem de passageiros.

Alguns desses fatos já completaram cem anos. Da mesma época, é o obelisco da Praça Epitácio em comemoração ao centenário da Independência do Brasil. O presidente da Paraíba era Sólon de Lucena(1920/1924) e o prefeito de Bananeiras cel. Leopoldo Bezerra. (Continua)

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