O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, não pretende aceitar o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para divulgar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico antes do segundo turno das eleições, segundo informações de aliados da campanha ouvidos por uma coluna jornalística nesta terça-feira (20). Integrantes do entorno do parlamentar classificam a proposta como uma “armadilha” eleitoral e avaliam que a iniciativa poderia gerar novos questionamentos na reta final da disputa.
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De acordo com os aliados, a divulgação dos dados não contribuiria para o debate eleitoral a cinco dias da votação, marcada para domingo (25). Na avaliação deles, eventuais informações poderiam motivar novas denúncias ou pedidos de investigação sem tempo suficiente para uma apuração aprofundada antes da eleição.
“Lula não vai ter esse gostinho”, afirmou à coluna um integrante da campanha de Flávio, ao justificar a decisão de não aderir à proposta.
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Lula formaliza pedido no TSE
Nesta terça-feira (20), Lula apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para autorizar a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, referentes aos últimos oito anos. A solicitação também inclui informações de familiares e está condicionada à adoção de medida equivalente por Flávio Bolsonaro e seus parentes.
A iniciativa foi anunciada pelo presidente após o debate presidencial transmitido pela Band no domingo (18), quando os candidatos trocaram acusações sobre questões relacionadas a patrimônio e possíveis irregularidades.
Na ocasião, Lula desafiou o adversário a autorizar a divulgação dos dados pessoais e familiares para que as informações fossem disponibilizadas ao público antes da votação.
Durante o confronto, o presidente questionou Flávio sobre suas relações com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O senador, por sua vez, mencionou suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger.
Flávio afirmou durante o debate que não tinha nada a esconder, mas não assumiu o compromisso de apresentar os documentos solicitados pelo petista.
Proposta inclui familiares e empresas
O pedido apresentado pela equipe jurídica de Lula abrange a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e os cinco filhos do presidente: Fábio Luís, Lurian, Marcos Cláudio, Sandro Luís e Luís Cláudio Lula da Silva.
No caso de Flávio Bolsonaro, a proposta inclui o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a mãe, Rogéria Bolsonaro, os irmãos Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro, além da esposa do senador, Fernanda Bolsonaro.
O documento também contempla empresas vinculadas aos candidatos e menciona a Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. A companhia foi citada em informações divulgadas pela imprensa sobre a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador.
Entre os registros potencialmente abrangidos estão informações bancárias, declarações fiscais, patrimônio, rendimentos, dívidas e dados telefônicos. A divulgação de informações protegidas por sigilo depende das autorizações juridicamente necessárias e das decisões aplicáveis a cada titular.
Campanhas divergem sobre efeitos eleitorais
Na segunda-feira (19), durante um ato de campanha em Porto Alegre, Lula voltou a cobrar uma resposta de Flávio e anunciou que formalizaria o pedido à Justiça Eleitoral.
A iniciativa passou a integrar o confronto político entre as campanhas na reta final do segundo turno. Aliados do presidente avaliam que uma eventual recusa do senador poderá ser explorada no debate sobre transparência patrimonial.
Já integrantes da campanha de Flávio consideram que aceitar a proposta significaria deslocar a discussão eleitoral para um tema escolhido pelo adversário. Segundo essa avaliação, a divulgação dos dados poderia alimentar acusações e pedidos de investigação nos últimos dias antes da votação.
A divergência mantém a proposta de abertura dos sigilos no centro da disputa entre os candidatos. A eventual divulgação das informações, contudo, depende dos procedimentos legais aplicáveis e das autorizações necessárias.
O próximo debate presidencial citado no material está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, quando o assunto poderá voltar ao confronto entre os candidatos.
