PF identifica mensagem de Vorcaro perguntando a Moraes se deveria sair do Brasil; além de edição em contrato de R$ 131 mi

Ministro Alexandre de Moraes
Foto: REUTERS/Adriano Machado

Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes alterou diretamente a versão final de um contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A análise de metadados do arquivo, apreendido no celular do banqueiro durante a Operação Compliance Zero, aponta que a alteração ocorreu no perfil “Ministro Alexandre de Moraes” em janeiro de 2024, após o envio de uma minuta revisada por Vorcaro.

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Segundo registros do Imposto de Renda entregues à CPI do Crime Organizado no Senado, o escritório Barci de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master em 22 parcelas pagas entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os repasses só cessaram quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e a PF prendeu o banqueiro.

Em nota, o escritório Barci de Moraes informou que solicitou a análise do ministro apenas para verificação de diretrizes de conformidade interna e eventual existência de impedimentos legais, afirmando que o magistrado nunca atuou em causas envolvendo a instituição financeira. Moraes não enviou posicionamento ao portal.

A extração de dados do dispositivo de Vorcaro também revelou diálogos em que o empresário pedia informações a Moraes sobre ações iminentes da PF. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para o exterior, o banqueiro questionou o ministro.

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, perguntou Vorcaro a Moraes.

As conversas, iniciadas no começo de novembro, mostram apelos do empresário para tentar contiver as apurações e evitar o colapso da instituição.

“Pelo amor de Deus, veja se você consegue bloquear toda maldade. Como eu disse não temos nada, nem o Banco Central abriu sequer um processo administrativo (…). Uma medida drástica agora literalmente quebra o banco de modo irreversível”, escreveu Vorcaro no dia 4 de novembro.

O material obtido pela pericial aponta o uso de recursos de visualização única e notas escritas pelo aplicativo do celular para o envio de mensagens a Moraes, razão pela qual o conteúdo das respostas enviadas pelo magistrado não pôde ser recuperado pela perícia técnica.

A Operação Compliance Zero, que já soma dez fases, teve seu processo remetido ao STF em dezembro de 2025 pelo ministro Dias Toffoli – que posteriormente deixou a relatoria, assumida pelo ministro André Mendonça. Vorcaro segue preso e busca fechar um acordo de delação premiada após duas tentativas recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República.

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