TSE discute proibição de deepfakes e punições para campanhas nas eleições de 2026

Ministros analisam nesta quinta-feira (13) se conteúdos gerados por inteligência artificial devem ser totalmente vetados ou apenas quando houver tentativa de enganar eleitores ou prejudicar candidatos.

TSE discute regras para uso de inteligência artificial e deepfakes nas eleições de 2026

O uso de conteúdos produzidos por inteligência artificial (IA) nas eleições deve entrar novamente no centro das discussões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (13). Os ministros foram convocados para uma reunião reservada em que deverão avaliar se a Corte deve ampliar a proibição aos chamados deepfakes e estabelecer as consequências para candidatos que descumprirem a regra.

A reunião foi marcada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e está prevista para ocorrer depois da sessão do plenário. A expectativa, segundo integrantes do tribunal, é que os ministros avancem na definição de um entendimento único sobre a utilização desse tipo de recurso nas campanhas.

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Atualmente, existem duas linhas principais em discussão. Uma delas defende que qualquer deepfake seja proibido no processo eleitoral, independentemente da finalidade. A outra prevê a restrição apenas quando a tecnologia for utilizada para induzir o eleitor ao erro ou causar prejuízo a algum concorrente.

A definição é considerada importante para estabelecer um parâmetro para as eleições de 2026 e evitar que a Justiça Eleitoral tenha de analisar individualmente uma grande quantidade de ações envolvendo conteúdos gerados por IA.

Também deve entrar na pauta a definição das penalidades. Entre as possibilidades avaliadas estão advertências e multas, enquanto situações de reincidência poderiam resultar em sanções mais rigorosas.

Caso envolvendo Jair Bolsonaro motivou debate

A discussão ocorre enquanto o TSE analisa uma ação movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra um vídeo exibido durante a convenção do PL que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República.

Na ocasião, foi apresentado um conteúdo produzido por inteligência artificial que reproduzia a aparência e a voz de Jair Bolsonaro. O ex-presidente está em prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à chamada trama golpista.

Entre as determinações judiciais impostas a Bolsonaro está a proibição de participar da divulgação de manifestações político-eleitorais, inclusive quando feitas por terceiros.

A controvérsia está justamente no fato de o vídeo ter utilizado uma representação digital do ex-presidente. A produção informava que se tratava de uma simulação criada com IA, mas o PT entende que isso não seria suficiente para tornar o material permitido.

O que diz a regra atual

A regulamentação do TSE para as eleições deste ano já estabelece limites para conteúdos sintéticos. A norma impede a utilização de materiais digitais produzidos ou modificados artificialmente para favorecer ou prejudicar uma candidatura, incluindo alterações de imagem e voz.

O impasse está na interpretação da extensão dessa proibição. Uma corrente entende que qualquer deepfake deveria ser barrado, mesmo quando o público é avisado de que o conteúdo foi criado artificialmente. Outra considera possível permitir a tecnologia desde que haja transparência e não exista intenção de enganar o eleitor.

Deepfake é o nome dado a conteúdos digitais, como vídeos, imagens ou áudios, modificados ou criados com auxílio de inteligência artificial para reproduzir ou alterar características de uma pessoa.

Defesa de Flávio contesta classificação

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro afirma que o material apresentado na convenção não violou a legislação. Segundo os advogados, o público foi informado de forma explícita sobre a utilização da inteligência artificial e sobre o fato de Jair Bolsonaro não estar fisicamente presente.

A defesa também rejeita a classificação do vídeo como deepfake. O argumento é de que a produção seria comparável a recursos visuais já utilizados em campanhas, como máscaras, bonecos e outras representações.

Os advogados sustentam ainda que o uso de IA não deveria ser totalmente impedido nas eleições. Para a defesa, conteúdos produzidos com a tecnologia podem ser legais quando houver transparência sobre sua origem e quando não houver tentativa de induzir o eleitor ao erro.

PT rebate argumentos

O Partido dos Trabalhadores voltou a contestar essa interpretação nesta quarta-feira (12). Para a legenda, não é necessário que um conteúdo tenha sido criado com a intenção de enganar alguém para ser classificado como deepfake.

Na avaliação dos advogados do partido, a identificação do material como uma simulação não elimina a natureza sintética da produção. O PT afirma que a utilização da tecnologia deve ser analisada conforme as regras eleitorais, independentemente do rótulo atribuído ao conteúdo.

O caso envolvendo o vídeo de Jair Bolsonaro pode ser levado ao plenário do TSE na próxima semana. A decisão dos ministros poderá estabelecer um precedente para outros conteúdos produzidos com inteligência artificial durante a campanha eleitoral de 2026.

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