A ausência de candidatos em debates na TV gera rejeição em 45% dos eleitores independentes, grupo considerado decisivo para a disputa presidencial deste ano. Segundo a pesquisa Quaest/O Globo/TV Globo, quase metade desse eleitorado — que não se declara de esquerda nem de direita — afirma ter menos intenção de votar em postulantes que faltam aos confrontos televisivos, enquanto 50% dizem que as ausências não alteram sua decisão.
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Quando analisada a totalidade do eleitorado brasileiro, a sensibilidade às faltas nos programas televisivos é menor. Entre a população geral, 57% dos entrevistados declararam que o não comparecimento a debates “não afeta” a escolha do candidato, ao passo que 37% dos eleitores afirmaram que a ausência os faz “querer votar menos” em quem evita os embates.
Os dados levantados pelo instituto mostram ainda que os eleitores vinculados às candidaturas do presidente Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) se mostram menos suscetíveis a alterar sua intenção de voto devido a ausências. Lula e Flávio Bolsonaro faltaram ao primeiro debate presidencial do atual ciclo eleitoral, realizado pela TV Band no mês de agosto. Ambos tampouco garantiram participação até o momento no debate agendado para o próximo dia 14 de setembro, que será promovido por um conjunto de veículos de imprensa e emissoras.
Recortes demográficos: gênero, escolaridade e idade
A pesquisa detalha a variação da rejeição às ausências conforme o perfil do eleitor:
- Eleitorado feminino: As mulheres e os eleitores com formação superior registraram os maiores índices de impacto negativo diante da ausência de candidatos. Entre as mulheres, 39% declararam “querer votar menos” em quem falta aos encontros na TV, em comparação com 35% registrado entre os eleitores do sexo masculino. O levantamento destaca ainda que a indefinição eleitoral é superior entre o público feminino: 13% das eleitoras afirmaram não ter decidido o voto e 8% declararam intenção de votar em branco ou nulo. Entre os homens, os indecisos somam 7% e os que pretendem anular ou votar em branco chegam a 6%.
- Nível de escolaridade: No recorte por grau de instrução, 60% dos entrevistados que estudaram até o ensino fundamental disseram que a ausência em debates “não afeta” a decisão de voto, número que representa quase o dobro do percentual de 32% registrado entre os que afirmaram “querer votar menos” nos faltantes. Por outro lado, entre os eleitores com ensino superior, o cenário é mais equilibrado: 55% disseram que a falta “não afeta” a escolha, enquanto 43% responderam que a ausência gera impacto negativo na decisão.
- Faixa etária: Na divisão por idades, os eleitores mais jovens demonstraram maior rejeição aos candidatos ausentes. No grupo com idade entre 16 e 34 anos, 46% afirmaram que a ausência “faz querer votar menos” no candidato, enquanto 51% responderam que a atitude “não afeta” o voto. Foi nessa mesma faixa de idade que o candidato Augusto Cury (Avante) alcançou seu patamar mais alto de intenção de voto na pesquisa divulgada nesta semana, registrando 14%. Cury, que criticou publicamente a ausência de Lula e chegou a ameaçar não comparecer ao debate da Band, atrai uma parcela expressiva desse eleitorado jovem. Em contrapartida, os eleitores mais velhos demonstraram ser os menos impactados pelas ausências: 63% afirmaram que as faltas não alteram sua decisão.
A pesquisa promovida pela Quaest realizou entrevistas com mais de 2 mil eleitores no período entre 30 de agosto e 1º de setembro. O levantamento está devidamente registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-07065/2026, com margem de erro estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Crédito: Brasil 247

