A tesoura como símbolo de um projeto de governo

Javier Milei e Flávio Bolsonaro

Na Argentina, o símbolo da campanha presidencial de Javier Milei foi uma motosserra. E vimos no que deu. Aquele equipamento, usado como marca de sua campanha, sinalizava, de forma simbólica, o que viria pela frente: cortes profundos nas políticas públicas, perda de poder de compra, dificuldades para os aposentados e trabalhadores e um cenário social marcado pelo aumento da pobreza e da vulnerabilidade.

Na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, além do show de horrores protagonizado por ele e por seu aliado argentino, o filho do ex-presidente subiu ao palanque portando uma tesoura.

Se aquilo for o símbolo de sua campanha, estamos ferrados, como já se poderia imaginar diante do projeto político que vem apresentando.

Afinal, para que serve uma tesoura? Para cortar.

O gesto pode ser interpretado como um sinal de que, a exemplo do que ocorreu na Argentina, seu eventual projeto de governo poderá ser marcado por cortes que atingirão a população, especialmente os trabalhadores e os segmentos mais vulneráveis da sociedade.

O mais irônico foi que a tesoura quebrou em plena apresentação, como se estivesse reagindo contra o propósito que ela própria simbolizava. Quem sabe não tenha sido um mau presságio para aqueles que pretendem impor aos brasileiros uma política de cortes e sacrifícios.

Tomara que, nas urnas, essa tesoura seja rejeitada pelo povo brasileiro.

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