Até pouco tempo, muitos brasileiros se constrangiam em se declarar de direita. Esse retraimento ocorria, em grande medida, pela proximidade histórica com a ditadura militar, um período que deixou marcas profundas na memória coletiva e associou esse campo político, para boa parte da sociedade, ao autoritarismo e à supressão das liberdades democráticas.
A partir do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, tornou-se mais visível a manifestação pública de grupos identificados com a direita que, como diz a expressão popular, “saíram do armário”. Inicialmente, esse movimento buscava afirmar sua identidade dentro do debate democrático. No entanto, de forma gradual, e sobretudo após a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, a extrema direita ganhou protagonismo, inspirando-se em correntes internacionais semelhantes e colocando-se em oposição direta à esquerda.
No Brasil, ressurgiram grupos saudosistas do regime militar, difundindo um discurso reacionário, ultraliberal na economia e fortemente conservador nos costumes. Esses setores passaram a defender posições consideradas incompatíveis com os valores democráticos, além de adotarem um discurso nacionalista que contrasta com o alinhamento e a dependência em relação aos Estados Unidos. Nesse contexto, destacam-se lideranças frequentemente acusadas de priorizar interesses externos em detrimento dos nacionais, sobretudo na política externa.
Independentemente das divergências ideológicas, esse processo evidencia uma transformação marcante no cenário político brasileiro: a direita deixou a atuação discreta e passou a disputar o espaço público abertamente, enquanto a extrema direita se consolidou como uma das principais forças políticas da contemporaneidade.

