O anúncio das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil passou do cenário econômico e se transformou em uma guerra de narrativas nas redes sociais. Um estudo realizado pelo Ativaweb DataLab identificou 21,4 milhões de menções e interações digitais nas primeiras 24 horas após o episódio.
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O indicador, que reúne publicações, comentários, compartilhamentos, vídeos e reações, apontou que 56,8% das interações adotaram um tom considerado positivo para a imagem do país e do governo federal. Esse campo concentrou mensagens focadas na defesa do Brasil, da soberania nacional, do Pix e no apoio à lei de reciprocidade comercial.
Por outro lado, o sentimento negativo representou 31,6% do volume total, englobando preocupações com os impactos na economia local, críticas à família Bolsonaro e, simultaneamente, à condução diplomática da gestão atual. As menções neutras somaram 11,6%, restritas à cobertura da imprensa e análises técnicas.
O fenômeno “TariFlávio”
A pesquisa do DataLab revelou que a oposição sofreu um forte desgaste imediato com a consolidação do apelido “TariFlávio”, direcionado ao senador Flávio Bolsonaro. A narrativa digital associou a imagem da família Bolsonaro diretamente à responsabilidade pelas sanções, impulsionada por frases satíricas como “O TariFlávio e sua família devem estar felizes” e “Cadê o Flávio que falou que ia impedir?”. Segundo os analistas do estudo, esse rótulo dispensa explicações técnicas e tem o potencial de prolongar o desgaste da oposição na crise.
Para contra-atacar, a oposição adotou a contranarrativa do “Faz o L”. Perfis alinhados à direita buscaram responsabilizar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alegando que o petista teria colocado questões ideológicas acima dos interesses econômicos do país.
“Guerra da palavra”
O cenário de disputa virtual vai ao encontro do posicionamento adotado pelo presidente. Em declaração feita na última sexta-feira (17), o presidente Lula sinalizou que não vai recuar do embate ideológico e que pretende usar a comunicação como principal escudo e arma contra o governo norte-americano.
“Eu já falei três vezes para o presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse de fazer guerra, nós aqui somos da paz. Agora a guerra que quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está falando a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e EUA. Ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra. Isso nós vamos ter que demonstrar”, cravou Lula.
Com o governo associando sua imagem à proteção dos empregos, das indústrias nacionais e do Pix, a expectativa é de que o “tarifaço” permaneça no topo da pauta digital.
