Dono do Banco Master trava delação ao rejeitar crimes com Moraes e Flávio Bolsonaro

Daniel Vorcaro
Foto: Divulgação

A tentativa de fechamento de um acordo de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entrou em um impasse crítico. A principal barreira para o avanço das tratativas está na profunda resistência do empresário em reconhecer que suas relações com agentes públicos e operadores políticos ultrapassaram as fronteiras da legalidade ou da ética empresarial.

De acordo com informações de bastidores apuradas junto a cinco interlocutores dos setores jurídico e empresarial, Vorcaro manifesta uma convicção convicta de que suas ações se mantiveram dentro dos limites permitidos pelo mercado. O empresário atribui seu atual cerco jurídico não a desvios próprios, mas a um suposto complô articulado por fortes concorrentes do mercado financeiro para desestabilizá-lo.

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“A ficha dele está caindo muito lentamente”, relatou um dos profissionais que acompanham de perto as negociações. Essa postura defensiva tem esvaziado o teor dos depoimentos preliminares apresentados à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que consideram o material fornecido até aqui “seletivo, raso e insuficiente” para homologar o benefício da colaboração.

O contrato de R$ 129 milhões com a esposa de Alexandre de Moraes

Entre os anexos e episódios que tensionam as reuniões com os investigadores está a contratação, por parte de Vorcaro, do escritório de advocacia pertencente a Viviane de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A prestação de serviços foi orçada na expressiva cifra de R$ 129 milhões.

Aos interlocutores, o dono do Banco Master sinalizou que não enxergava qualquer infração ética no pagamento milionário. Na sua perspectiva, o movimento visava exclusivamente blindagem institucional por meio de prestígio e imagem no topo do Judiciário nacional.

“Ele realmente acreditava que o ministro Alexandre de Moraes era a pessoa mais poderosa do país e que era bom tê-lo por perto. A mera proximidade jurídica amedrontaria e neutralizaria seus adversários no mundo financeiro, sem que o ministro precisasse fazer absolutamente nada de concreto em seu favor”, revelou uma das fontes à publicação.

Do ‘Saco do Vorcaro’ ao financiamento de filme de Jair Bolsonaro

A mesma linha de raciocínio de “relações públicas agressivas” é utilizada pelo banqueiro para justificar repasses vultosos a caciques políticos de diferentes espectros partidários. Vorcaro enquadra os agrados financeiros como praxe comercial de grandes investidores para garantir trânsito livre nos centros decisórios de Brasília.

A seletividade na admissão de culpa abrange duas frentes de grande impacto político nacional:

  • Ciro Nogueira (PP-PI): O empresário admite ter custeado viagens de luxo e outras despesas pessoais para o senador e presidente nacional do Progressistas, mas nega que os mimos configurassem pagamento de vantagens indevidas ou propina;

  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ): O operador do Banco Master financiou o longa-metragem biográfico sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O aporte atendeu a um pedido direto do senador Flávio Bolsonaro.

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