O Peso do Tempo: Facilidades Modernas e Nostalgia de Outrora

Telefone fixo

A geração atual deve se perguntar como conseguíamos viver sem o celular, a internet, a TV a cabo com centenas de canais, o computador, o caixa eletrônico ou o cartão de crédito. Aqueles que usufruem de toda essa praticidade moderna mal conseguem imaginar como a vida nos anos 60 podia ser funcional.

​Hoje, nós mesmos sentimos dificuldade em conduzir o dia a dia sem as inovações tecnológicas. Ficamos mal-acostumados, ou será que o termo exato seria “bem-acostumados”? Tornamo-nos dependentes de tudo o que facilita as ações cotidianas.

​Quando não havia celular, a comunicação telefônica dependia de aparelhos fixos, que não eram baratos; possuir uma linha telefônica era um privilégio. Sem a internet, não havia como acompanhar o que acontecia no mundo em tempo real; as notícias chegavam com atraso. A televisão em preto e branco, outro artigo de luxo por muito tempo, sintonizava apenas dois ou três canais.

​O computador nos libertou da máquina de escrever, tornando a comunicação mais rápida e eficaz. Já não precisamos consultar enciclopédias como a Barsa ou a Delta Larousse para pesquisar o desconhecido. A interação virtual substituiu as cartas, e a memória digital eliminou os volumosos arquivos de papel.

​Antigamente, a vida financeira exigia o deslocamento até uma agência bancária para qualquer depósito ou retirada. Não se pensava em caixas eletrônicos ou cartões. Após enfrentar filas enormes, ainda era preciso aguardar a conferência manual da ficha cadastral, do saldo e da autenticidade da assinatura.

​No lar, para aquecer uma refeição pronta, o fogão e o forno eram as únicas opções, pois o micro-ondas ainda não existia. Também vivíamos a ansiedade de esperar dias pela revelação de fotografias para registrar momentos felizes; as câmeras instantâneas e os celulares com fotos imediatas ainda não estavam ao nosso dispor.

​Esses são apenas alguns exemplos. Contudo, apesar das limitações técnicas, éramos felizes. Em contrapartida às facilidades de hoje, podíamos caminhar tranquilamente pelas ruas a qualquer hora. Não vivíamos estressados com o caos do trânsito, nem ansiosos com a pressão da sociedade de consumo atual.

​Naquela época, nossa privacidade era respeitada, sem o risco de invasões por hackers. Os adolescentes estavam livres de assédios em ambientes virtuais. Em reuniões familiares ou encontros sociais, conversávamos de verdade, pois ninguém tinha um celular à mão para navegar em redes sociais. As escolas, por sua vez, não eram campos tão vulneráveis à atuação do narcotráfico.

​Concluímos, portanto, que cada geração experimenta as vantagens e desvantagens próprias do seu tempo.

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