A confusão envolvendo o cantor Ed Motta em um restaurante da Zona Sul do Rio de Janeiro ganhou novos desdobramentos após funcionários relatarem ofensas xenofóbicas durante o episódio. Em depoimento exibido pelo programa Fantástico, da TV Globo, um integrante da equipe do restaurante Grado afirmou que o artista insultou trabalhadores nordestinos durante a discussão ocorrida na madrugada do último dia 2 de maio.
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Segundo o relato, o desentendimento começou após o grupo de amigos do cantor questionar a cobrança da taxa de rolha, aplicada a clientes que levam vinhos para consumo no local. O grupo teria levado sete garrafas ao restaurante, consumido cinco delas e acumulado uma conta superior a R$ 7 mil.
Durante a discussão, um funcionário afirma que o cantor passou a fazer xingamentos e referências pejorativas à origem nordestina dos empregados.
“Começa os xingamentos, falando, ah, vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíba. Vai tomar no seu c…, seu filho da p…, paraíba, nunca mais eu volto aqui”, relatou o trabalhador ao Fantástico.
Os proprietários do restaurante, Nello Garaventa e Lara Atamian, já haviam divulgado nota afirmando que houve “condutas discriminatórias” durante a confusão. Segundo o comunicado, as agressões envolveram insultos relacionados à origem nordestina de funcionários, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada.
Ainda de acordo com testemunhas, Ed Motta teria arremessado uma cadeira no salão antes de deixar o estabelecimento. Em entrevista ao jornal O Globo, o cantor admitiu que se exaltou, mas negou ter jogado o objeto em direção a funcionários.
“Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso”, declarou.
Mesmo após a saída do cantor, a briga continuou entre integrantes do grupo e outros clientes do restaurante. Segundo depoimento prestado à polícia, uma das vítimas afirmou ter levado um soco de um homem com sotaque português enquanto ainda estava sentada. Ao tentar deixar o local sem reagir, acabou atingida na cabeça por uma garrafa de vinho arremessada pelas costas.
O cliente foi socorrido ao Hospital Samaritano, em Botafogo, onde recebeu seis pontos na cabeça.
As investigações apontam Nicholas Guedes Coppi, identificado como advogado, como suspeito de ter desferido o soco e lançado a garrafa. Conforme o relato, ele teria desativado seu perfil no Instagram após a repercussão do caso.
Em nota, o restaurante afirmou que funcionários precisaram agir para evitar consequências ainda mais graves. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da 15ª DP, na Gávea. Ed Motta foi intimado a prestar depoimento nesta terça-feira.
