Insegurança nas Alturas!, por Leonardo Forte

João Pessoa vive um dos maiores ciclos de expansão imobiliária de sua história. A cidade cresce para cima. Torres cada vez mais altas mudam a paisagem urbana, transformam bairros inteiros e elevam o padrão da construção civil. Hoje já existem empreendimentos com 40, 45 pavimentos e projetos que ultrapassam a marca dos 50 andares.

O crescimento impressiona. Representa desenvolvimento econômico, geração de emprego, valorização imobiliária e modernização urbana. Mas junto com essa verticalização surge uma pergunta inevitável: estamos realmente preparados para enfrentar emergências nas alturas?

Recentemente, um incêndio em um apartamento no bairro de Manaíra reacendeu essa preocupação. O fogo, segundo relatos, atingiu um andar elevado e provocou destruição total da unidade. O Corpo de Bombeiros atuou com coragem, dedicação e profissionalismo, utilizando os equipamentos disponíveis naquele momento. Felizmente, a situação não tomou proporções ainda maiores.

Mas o episódio deixou uma inquietação legítima na mente de muitos moradores.

Se ocorrer, que Deus nos livre , um incêndio de grandes proporções em uma torre muito mais alta, acima de 30, 40 ou 50 pavimentos, a estrutura disponível atualmente consegue responder com eficiência? Existem escadas mecânicas, plataformas e equipamentos adequados para alcançar grandes alturas? Há tecnologia suficiente para combate externo em edifícios superaltos? Os hidrantes internos, sistemas de pressurização, rotas de fuga e brigadas privadas estão realmente preparados para um cenário extremo?

Essas perguntas não representam crítica ao trabalho heroico do Corpo de Bombeiros. Pelo contrário. Representam reconhecimento da necessidade de estrutura compatível com a nova realidade urbana da cidade.

Uma cidade que cresce verticalmente precisa crescer também em prevenção, fiscalização, tecnologia e capacidade operacional de resposta.

Não basta aprovar torres monumentais. É preciso garantir que toda a cadeia de segurança acompanhe essa evolução: Corpo de Bombeiros equipado, fiscalização rigorosa, manutenção periódica dos sistemas de incêndio, treinamento de evacuação e planejamento urbano responsável.

A engenharia evoluiu. A cidade cresceu. As alturas aumentaram.

Agora é preciso garantir que a segurança também suba junto.

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