Em audiência no STF, Padilha defende proibição das bets e alerta para alta no risco de suicídios e vício

Foto: reprodução

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu o banimento completo do setor de apostas de cota fixa durante audiência pública sobre casas de apostas conduzida pelo ministro Luiz Fux, no Supremo Tribunal Federal.

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Ao rebater os argumentos de dirigentes esportivos focados no faturamento obtido via patrocínios de “bets”, Padilha relembrou o drama social de milhões de famílias tragadas pelo endividamento e pela compulsão no jogo.

O ministro destacou que os prejuízos recaem com maior violência sobre o público feminino, apontando que grande parte das mulheres vitimadas pela ludopatia (vício em jogos de azar) oculta a dependência por constrangimento. Além disso, citou dados que associam diretamente a jogatina a um salto de 15 vezes nas taxas de suicídio, cenário gravíssimo que tem sobrecarregado os profissionais da rede pública de assistência.

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Alexandre Padilha ainda desmistificou a ideia de que a fiscalização e a limitação de comerciais de televisão seriam suficientes para conter o problema. Com base no diálogo com gestores internacionais, ele enfatizou que nenhum país que optou por legalizar a atividade conseguiu reverter a piora nos seus quadros epidemiológicos ou conter os estragos à saúde mental da população, mesmo restringindo horários de veiculação publicitária.

O levantamento do cenário nacional apresentada pelo Ministério revela a gravidade da situação. Veja dados:

  • 28 milhões de brasileiros realizaram ao menos um palpite pago na internet no último ano;
  • 11 milhões desse montante já demonstram sintomas de dependência grave ou conduta de alto risco;
  • Mais de 200% foi a alta registrada nas consultas e tratamentos para vício em jogos na rede do SUS entre 2018 e 2026.

Diante do diagnóstico, o Ministério da Saúde defende que a interrupção das operações de jogos de azar on-line é o único caminho capaz de estancar o avanço dos transtornos mentais e proteger a estrutura familiar no país.

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