Uma recente declaração de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Bolsonaro e atual coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), acendeu um debate sobre o futuro do funcionalismo público no Brasil. Ao sugerir a substituição de vagas de servidores aposentados por tecnologias de inteligência artificial, Marques atraiu duras críticas do vereador de São Paulo, Celso Giannazi, que classificou a proposta como uma ameaça direta à existência dos concursos públicos no país.
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A proposta de eficiência tecnológica
Durante entrevista, Daniella Marques, que é uma das principais cotadas para assumir o Ministério da Economia na possível vitória de Flávio, defendeu a modernização da máquina pública por meio da tecnologia, questionando a necessidade de reposição contínua de pessoal à medida que os servidores se aposentam.
“Você sabe quanto custa hoje a despesa com pessoal da máquina pública? R$ 450 bilhões . Uns 12 milhões e meio de servidores públicos. Tudo certo, começou lá atrás. Agora, a cada 5 anos, cada ano vai aposentando 20% e aí, substitui e faz outro concurso para a gente pagar? Ou dá para ir substituindo por inteligência artificial no tempo, algumas carreiras?”, argumentou Daniella em entrevista ao G4 Podcasts.
Marques argumentou que o setor privado já passa por essa provocação diariamente e que o governo deveria seguir o mesmo caminho no chamado “back office”.
“Quantas carreiras administrativas e operacionais podem ser substituídas no funcionalismo público a partir de inteligência artificial? Se eu vou fazer isso no back office de vocês [empresários], por que eles não fazem no back office de lá?”, perguntou.
Para a economista, a internet deve ser vista como a “infraestrutura do futuro, como foi rodovia”, servindo para facilitar a abertura de empresas, o acesso a serviços e a orientação financeira. “Isso vai fazer o governo mais eficiente para o cidadão e para o pagador de impostos”, defendeu.
Reação e acusação de “sucateamento”
A manifestação de Marques foi recebida com oposição pelo vereador de São Paulo Celso Giannazi. Em pronunciamento direcionado a servidores públicos, aposentados e pensionistas, o parlamentar alertou para o que considera um risco iminente de desmonte do Estado.
“E ela tá propondo aqui nesse vídeo, acabar com o concurso público. Tá falando, as pessoas vão se aposentar no serviço público, quer quer fazer um tesouraço nas políticas sociais, acabando com concurso público de professor, de médico, de enfermeiro, que atende a população do nosso país.”
Giannazi classificou as declarações como um “absurdo completo” e alertou para as consequências políticas caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente e venha a nomear Marques como ministra da Economia.
“Nós estamos na iminência de ter o sucateamento, término dos concursos públicos no nosso país”, concluiu o vereador.
