No primeiro turno, a autoconfiança tomou conta da campanha do presidente Lula. E deu no que deu: seu opositor saiu na frente na primeira batalha eleitoral. Nada mais perigoso do que a acomodação em um momento de crise. Felizmente, acredito que essa foi uma lição aprendida a tempo.
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O resultado do primeiro turno provocou duas reações opostas. O candidato da oposição passou a se imaginar vencedor por antecipação e começou a anunciar futuros ministros, que, por sua vez, não tardaram a revelar o que pretendiam fazer caso chegassem ao poder. Enquanto isso, uma sociedade que parecia adormecida despertou e percebeu o risco iminente que o país estava correndo.
A juventude foi às ruas, protagonizando um movimento de mobilização popular que produziu entusiasmo, coragem e disposição para impedir o mal que estava sendo anunciado. A geração dos anos 1960, protagonista de uma história de resistência e luta contra a opressão e o autoritarismo, também decidiu comparecer às urnas para não permitir que aquele passado sombrio voltasse a ameaçar o Brasil.
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A campanha do presidente reeleito compreendeu o recado das urnas no primeiro turno e saiu da letargia. Mudou sua estratégia de comunicação com o povo, incorporando novas formas de mobilização e a linguagem utilizada por André Janones. O chamado exército de Lula, formado por militantes, apoiadores e cidadãos comprometidos com a democracia, foi fundamental para produzir aquela virada histórica.
Eu, particularmente, senti uma alegria muito grande com o resultado. Mas a sensação predominante, ao acompanhar a apuração e constatar a vitória do presidente, foi de alívio. Depois de tantos momentos de tensão, preocupação com o futuro e medo do que poderia acontecer em nosso país, experimentei novamente a confiança de que, quando a força popular se manifesta, não há autoritarismo capaz de submeter definitivamente um povo que decide defender sua liberdade. Não há espaço para a cizânia, para a intolerância nem para a submissão aos interesses daqueles que pretendem fazer o Brasil retornar aos tempos sombrios que marcaram nossa história no século passado.
Por muito pouco não mergulhamos em um abismo profundo. A esperança venceu o medo. A solidariedade cívica enfrentou corajosamente a política do ódio e as tentativas de fazer prevalecer a vontade das elites dominantes.
Fica uma lição que não podemos esquecer: a democracia não se sustenta apenas com a vitória nas urnas. Ela exige participação, vigilância e mobilização permanente. O povo brasileiro mostrou que, quando percebe seus direitos ameaçados, sabe sair da acomodação, ocupar as ruas e decidir seu próprio destino. Nenhum projeto autoritário é invencível quando encontra pela frente uma sociedade disposta a defender a liberdade.

