A “tática diversionista” adotada pelo candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, para tentar desviar a atenção de seu envolvimento no caso Dark Horse dificilmente produzirá os efeitos que deseja. Passados mais de três meses desde a revelação de seu pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente destinado ao financiamento de um filme biográfico sobre seu pai, e diante da ausência, até agora, de documentação capaz de demonstrar de forma convincente a aplicação dos R$ 61 milhões recebidos, o candidato responde às indagações dizendo que o assunto é “página virada” e que quem deve prestar contas é Lula.
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Como assim? O que o presidente Lula tem a ver com as questões que envolvem Flávio Bolsonaro?
Recorre-se, mais uma vez, à velha estratégia de responder às acusações dirigindo a pergunta para outro lado: “E o Lula?”. É como se a simples menção ao presidente fosse suficiente para apagar as dúvidas existentes. Não é.
O assunto não pode ser considerado página virada enquanto permanecerem sem respostas perguntas fundamentais. O romance ainda está nas primeiras páginas, e há muito conteúdo a ser conhecido.
Talvez seja justamente isso que incomode: a possibilidade de que as páginas seguintes revelem informações que não sejam bem recebidas por aqueles que defendem o candidato.
As questões continuam à espera de esclarecimentos. Qual foi o roteiro do dinheiro recebido? Como os recursos foram efetivamente aplicados? Por que parte do dinheiro teria sido enviada para uma conta nos Estados Unidos administrada por um advogado ligado a seu irmão, que enfrenta problemas com a Justiça ?
São perguntas que não podem ser respondidas simplesmente com um “e o Lula?”. Quem pretende disputar o mais importante cargo da República precisa assumir a responsabilidade de esclarecer fatos que lhe dizem respeito. A candidatura exige, além de discursos e promessas, transparência e disposição para prestar contas.
Enquanto essas perguntas permanecerem sem respostas convincentes, a chamada “página virada” continuará aberta.
A tática diversionista, portanto, não resolve o problema. Apenas tenta mudar o foco daquilo que realmente precisa ser esclarecido.
Rui Leitão

