O GOLPE CONTRA O PARAIBAN (2)

Na manhã do dia 21 de setembro, acompanhados pelos dirigentes do Sindicato dos Bancários, os funcionários dirigiram-se ao Departamento de Processamento de Dados do PARAIBAN com o objetivo de impedir a entrada dos representantes do Banco Central que deveriam iniciar os procedimentos destinados a consolidar a liquidação da instituição.

Os liquidantes não conseguiram entrar imediatamente. Somente horas depois tiveram acesso às dependências do banco, acompanhados por agentes da Polícia Federal e amparados por uma ordem judicial.

Durante todo aquele dia, os funcionários permaneceram mobilizados em frente ao prédio da Direção Geral do PARAIBAN, no Parque Solon de Lucena. Um carro de som do Sindicato dos Bancários orientava os trabalhadores a não retornarem às suas atividades, sob o argumento de que a continuidade do trabalho poderia contribuir para a execução do processo de liquidação decretado pelo Banco Central.

No interior do prédio já se encontravam seis integrantes da comissão enviada pelo Banco Central, entre eles o liquidante Flávio Fernandes. Do lado de fora, crescia a mobilização dos trabalhadores, que se recusavam a aceitar passivamente uma decisão que atingia seus empregos, seus direitos e a própria existência de uma instituição que fazia parte da história econômica da Paraíba.

Diante daquele cenário de absoluta incerteza, a diretoria do Sindicato convocou todos os funcionários do banco para uma reunião em sua sede, na Avenida José Américo de Almeida. O objetivo era discutir as estratégias capazes de impedir ou, pelo menos, questionar a liquidação do PARAIBAN.

As lideranças sindicais decidiram ampliar a resistência e buscar o apoio de políticos paraibanos, empresários, entidades representativas e da população. A luta deixava de ser apenas uma questão trabalhista. Estava em jogo o destino de uma instituição financeira pública e, principalmente, o futuro de milhares de trabalhadores que, naquela noite de 20 de setembro, haviam sido surpreendidos por uma decisão que mudaria suas vidas.

O fechamento do PARAIBAN produziu uma crise que foi muito além dos números de uma instituição financeira. Para os seus funcionários, a liquidação significava a ruptura abrupta de uma trajetória profissional e a transformação de uma vida marcada pela estabilidade em um cenário de medo, insegurança e incerteza.

Aquele episódio deixou profundas marcas entre os servidores do banco. O sentimento de revolta se misturava ao temor diante do futuro. Muitos haviam construído suas famílias, adquirido suas casas, planejado a aposentadoria e organizado suas vidas contando com a estabilidade proporcionada pelo emprego no banco. De repente, todos esses projetos passaram a ser ameaçados por uma decisão tomada em Brasília.

Naqueles dias, os trabalhadores do PARAIBAN descobriram, de maneira dolorosa, que a defesa do emprego não era apenas uma reivindicação sindical. Era uma luta pela dignidade, pela sobrevivência e pelo direito de participar das decisões que afetavam diretamente suas próprias vidas.

A resistência que se iniciou naquela manhã de 21 de setembro seria marcada por mobilizações, reuniões, articulações políticas e intensa atuação sindical. O fechamento do PARAIBAN não representou apenas o encerramento das atividades de um banco estadual. Para seus funcionários, significou o início de uma longa batalha contra as consequências de uma decisão que, em poucas horas, transformou a segurança do trabalho em uma das maiores incertezas de suas vidas.

Rui Leitão

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