Taxa de R$ 30 milhões da Pixbet para atuar no país teria sido paga com dinheiro ilícito, aponta investigação da Polícia Federal

Foto: Geraldo Jerônimo/TV Paraíba

A Polícia Federal revelou que a taxa de outorga de R$ 30 milhões, paga pela casa de apostas Pixbet ao Ministério da Fazenda para operar no país, foi custeada com recursos vindos de atividades ilícitas. A conclusão é resultado dos desdobramentos da Operação Arena, que apura um suposto esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro no setor de jogos de azar.

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Segundo a PF, após ter sua atuação nacional baseada em licenças estaduais invalidada pela Justiça em 2025, a empresa obteve a outorga federal. No entanto, os investigadores apontam que os R$ 30 milhões são fruto do envio irregular de recursos ao exterior, iniciado em 2012 por meio de simulações financeiras destinadas a uma empresa de fachada.

O Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata das operações da Pixbet, empresa que possui sede em Campina Grande, na Paraíba. A medida ordena o cancelamento das apostas em andamento e exige a devolução integral dos valores aos apostadores.

Funcionamento do esquema

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o fluxo financeiro do grupo seguia um caminho traçado exclusivamente para simular legalidade. Veja o passo a passo:

  • Remessa ao exterior: Os valores arrecadados nas apostas eram transferidos do Brasil por meio de empresas de compensação financeira;
  • Empresa em paraíso fiscal: O montante desembarcava em Curaçao em nome de uma empresa de fachada, sem funcionários nem atividade econômica real;
  • Emissão de notas frias: Os sócios solicitavam pagamentos respaldados por notas fiscais emitidas no exterior por serviços que jamais foram prestados;
  • Retorno ao Brasil: O dinheiro retornava ao país sob a justificativa de pagamento por serviços prestados fora, aparentando legalidade aos valores antes de integrarem o patrimônio dos sócios.

Mandados

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná, além de determinar a quebra de sigilos bancários e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em ativos.

Na Paraíba, as equipes cumpriram mandados na sede da Pixbet, em Campina Grande, no endereço do proprietário e na residência de um homem apontado como “laranja” do esquema.

Em São Paulo, um dos alvos de busca e apreensão foi o advogado Nelson Wilians. Por meio de nota assinada pelo advogado Santiago Schunck, a defesa de Wilians declarou que a relação do seu escritório com a Pixbet “é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia”.

Já a defesa da Pixbet informou que não teve acesso prévio à decisão judicial que autorizou a operação, afirmando ter sido “pega de surpresa”, e que se manifestará formalmente assim que consultar os autos.

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