Um levantamento do Observatório Brasileiro das Desigualdades aponta que o Brasil apresentou melhora em 71% dos 38 indicadores utilizados para acompanhar as desigualdades sociais e econômicas no país. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (12) e têm como base informações apuradas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A análise compara dados de 2024 e 2025 e faz parte das iniciativas do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades. Entre os setores que apresentaram evolução estão o mercado de trabalho, a renda, o desenvolvimento humano, a segurança alimentar, a educação e a área ambiental.
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Um dos principais avanços ocorreu no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,6% em 2025, o menor nível registrado na série recente acompanhada pelo estudo. A redução foi observada entre diferentes grupos da população, incluindo mulheres e pessoas negras. Apesar disso, o relatório destaca que as diferenças históricas entre esses segmentos ainda permanecem.
Na área econômica, o rendimento médio real das famílias aumentou 5,3% no período analisado. Ao mesmo tempo, houve redução na parcela da população submetida à pobreza extrema e a condições de maior vulnerabilidade econômica, considerando a renda domiciliar per capita.
A segurança alimentar também apresentou resultados positivos. Segundo o levantamento, a proporção de pessoas em situação de insegurança alimentar moderada ou grave passou de 9,5%, em 2023, para 7,7%, em 2024. Também foram registradas reduções nos casos de desnutrição entre crianças e idosos.
Os indicadores educacionais seguiram a mesma tendência. A taxa de analfabetismo diminuiu, especialmente entre pessoas idosas e a população negra. O país também ampliou a presença de crianças de até três anos em creches e registrou crescimento no atendimento da educação infantil. As taxas líquidas de escolarização no ensino médio e no ensino superior também avançaram.
Na área ambiental, o levantamento registrou redução de 20,6% no desmatamento durante 2025. As emissões de gases de efeito estufa também recuaram 16,7% no resultado consolidado de 2024.
Desigualdades ainda representam desafios
Apesar do resultado positivo na maior parte dos indicadores, o Observatório alerta que problemas estruturais relacionados principalmente a raça e gênero continuam presentes no país.
Entre os indicadores que pioraram estão a concentração de renda, a diferença salarial entre homens e mulheres, o risco geológico em regiões vulneráveis e o peso do aluguel sobre o orçamento das famílias.
O levantamento também identificou aumento da presença proporcional da população negra no sistema prisional. Outros pontos de atenção foram a elevação da mortalidade materna e a redução da cobertura de saneamento básico na Região Norte.
