Tovar crava votos em Nabor e Veneziano para o Senado e revela adesões veladas nos bastidores

Deputado estadual Tovar Correia Lima concedendo entrevista a jornalistas e microfones de rádio na Assembleia Legislativa.

O deputado estadual Tovar Correia Lima (MDB) subiu o tom ao comentar as movimentações de bastidores e a engenharia de votos para a disputa das duas vagas ao Senado Federal na Paraíba. Em entrevista à imprensa, o parlamentar minimizou a existência de polêmicas em torno do seu posicionamento e aproveitou para lançar um “componente de pimenta” nas discussões, revelando que existem lideranças políticas no estado que já fecharam acordos com o ex-prefeito de Patos e pré-candidato, Nabor Wanderley (Republicanos), mas que ainda optam pelo silêncio.

Questionado sobre como as bases do grupo político do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, vão equalizar o apoio a Nabor em um cenário onde o MDB também possui nomes postos na corrida majoritária, Tovar rechaçou o rótulo de crise interna e defendeu a transparência de suas escolhas.

“Se vocês gostam de uma pimentinha: alguns já estão fechados com Nabor antes de Tovar e ainda não anunciaram. Eu não tenho isso. Eu fechei, anunciei, vou votar em Nabor. Olhando para todas as câmeras: eu voto em Nabor e voto em Veneziano. São os meus dois senadores”, cravou o deputado.

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Histórico de alianças

Tovar Correia Lima justificou a aliança com Nabor Wanderley relembrando a convivência política de ambos no Poder Legislativo estadual, onde dividiram bancada por dois mandatos na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). O parlamentar também confirmou que o seu voto para o Governo do Estado está definido em favor de Cícero Lucena.

A declaração tenta dissipar ruídos sobre infidelidade partidária ou desalinhamento com as principais legendas que dão sustentação ao bloco governista e à oposição dialogante.

O risco do ‘segundo voto’ e o fantasma de 2018

Durante a entrevista, Tovar foi confrontado sobre o risco de uma dobradinha entre Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Nabor Wanderley acabar canibalizando votos e isolando o emedebista na contagem final. Os analistas políticos apontam que a pulverização de apoios em uma eleição com duas vagas na urna costuma gerar surpresas, abrindo margem para o crescimento de outras candidaturas.

O tucano reconheceu a complexidade matemática e o perigo que envolve a distribuição de forças entre o primeiro e o segundo voto do eleitorado, trazendo como paralelo a histórica eleição de 2018, quando o ex-senador Cássio Cunha Lima acabou derrotado na disputa senatorial.

“A gente tem hoje uma campanha de dois votos para senador. E claro que o primeiro voto e o segundo voto, nessa composição, é sempre muito complicado, haja vista a eleição de Cássio. Para mim, um dos piores momentos eleitorais foi quando Cássio perdeu para o Senado da República, algo que a Paraíba hoje sente a falta”, ponderou Tovar.

O deputado concluiu afirmando que é impossível prever ou se responsabilizar pelo comportamento exato do eleitor na cabine de votação. Segundo ele, o real peso estratégico das escolhas partidárias e o impacto do cruzamento de votos nas bases governistas e de oposição só serão totalmente compreendidos “quando as urnas forem abertas”.

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