De supetão, com análise rápida sobre os fatos registrados em Cabedelo com o afastamento do prefeito eleito, Edvaldo Neto, afetado pela operação da Polícia Federal por envolvimento em desvios de R$ 270 milhões, tudo se traduz em cena inacreditável, mas real, de facções participando até do comando da gestão municipal.
Mal comparando, diante do envolvimento, afastamento e prisão até de ex-prefeitos de Cabedelo, todo cenário expõe algo parecido com o Rio de Janeiro com denúncias e prisões de diversos ex-governadores por desvios de recursos públicos.
Na essência, contudo, está a presença do crime organizado envolvendo lideranças políticas, tal qual o Rio de Janeiro.
O envolvimento de líderes
Na cena atual de Cabedelo, chama a atenção, com base no processo, as citações dos secretários de João Pessoa Rougger Guerra, da Gestão Governamental, e do Turismo, Vitor Hugo, citados pela PF como envolvidos.
Dados apurados apontam que a citação de Rougger se deve ao fato dele ser genro da dona da Lemon Terceirização — empresa envolvida nas contratações dos comissionados –, onde há citações de gente ligada ao crime organizado.
No caso de Vitor Hugo, o problema é recorrente, por envolvimento antigo nas questões políticas da cidade e ter sido responsável pela contratação da empresa quando prefeito.
Nos dois casos não há ligação com a PMJP, portanto inexiste citação a Cícero Lucena, pré-candidato ao Governo, mas o envolvimento de auxiliares gera real desconforto.
A cena de apoio político
O afastamento de Edvaldo Neto por desvios e envolvimento com organização criminosa consolida também, no paralelo, forte desconforto conjuntural, porque o governador Lucas Ribeiro, mais os pré-candidatos ao Senado, João Azevêdo e Nabor Wanderley, estiveram na cidade apoiando publicamente o candidato vitorioso.
Como se sabe, a inteligência das polícias do Estado bem poderia ter instruído melhor o governador sobre os problemas em curso para tomada de decisão avaliada evitando vexames de agora.
Abstenção
O percentual de 40% de abstenção dos eleitores em Cabedelo na eleição já era sinal de desaprovação considerada da população pelos problemas na gestão municipal.
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“O crime não compensa”