Paraguai: Santiago Peña deixa prisão domiciliar e é levado para unidade militar após ser destituído da presidência

Santiago Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi transferido na madrugada deste sábado (7) para o Regimento Escolta Presidencial, em Assunção, após protestos e confrontos entre manifestantes e policiais nas proximidades de sua residência. A transferência ocorreu poucas horas depois de sua destituição pelo Senado e da determinação de prisão domiciliar, no contexto das investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank.

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Segundo o jornal paraguaio La Nación, a decisão de retirar Peña de casa foi motivada pelo agravamento das manifestações populares. Centenas de pessoas se concentraram nas proximidades do imóvel para protestar contra o ex-presidente e exigir que ele fosse encaminhado a uma unidade prisional, em vez de permanecer em prisão domiciliar.

Durante os confrontos, agentes da Polícia Nacional utilizaram balas de borracha contra os manifestantes. A retirada de Peña ocorreu sob forte esquema de segurança, em um comboio de veículos que deixou o local pouco antes da meia-noite.

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Imagens divulgadas pela imprensa paraguaia mostram moradores lançando ovos contra os veículos e dirigindo insultos à comitiva responsável pelo transporte do ex-presidente.

Senado destituiu Peña por unanimidade

A transferência ocorreu após uma jornada de forte turbulência política no Paraguai. Na sexta-feira (6), o Senado aprovou, por unanimidade, a destituição de Santiago Peña por mau desempenho de suas funções. A decisão recebeu os votos dos 43 parlamentares presentes.

O processo de impeachment foi motivado pela crise envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira cuja situação provocou uma onda de protestos depois que milhões de clientes ficaram sem acesso aos próprios depósitos.

O escândalo ganhou dimensão política diante das antigas relações de Peña com o grupo empresarial controlador do banco e das denúncias envolvendo recursos públicos depositados na instituição.

Após a destituição, o Ministério Público determinou a prisão domiciliar do ex-presidente, que passou a ser investigado por suspeitas de lesão de confiança e outras irregularidades relacionadas ao caso.

A decisão de mantê-lo inicialmente em sua residência provocou indignação entre manifestantes, que exigiam seu encaminhamento a um estabelecimento penitenciário.

Confrontos e repressão policial marcam protestos

A concentração diante da residência de Peña tornou-se um dos principais focos da crise política paraguaia.

Manifestantes permaneceram nas ruas durante a noite, enquanto policiais montaram barreiras para impedir a aproximação do imóvel. A tensão aumentou com a chegada de novos grupos e os confrontos entre participantes dos protestos e forças de segurança.

De acordo com o La Nación, policiais dispararam balas de borracha contra os manifestantes durante os incidentes.

A transferência para o Regimento Escolta Presidencial foi apresentada como uma medida preventiva de segurança. A unidade militar, localizada em Assunção, é responsável pela proteção de autoridades e ex-presidentes paraguaios.

Até o momento da transferência, não havia confirmação de que Peña tivesse sido encaminhado a uma unidade penitenciária convencional.

Crise do Ueno Bank provocou queda do governo

A destituição de Peña ocorreu em meio às consequências da crise do Ueno Bank, que atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes e levantou questionamentos sobre a supervisão do sistema financeiro paraguaio.

A instituição concentrava centenas de milhões de dólares em depósitos de órgãos públicos, ampliando as preocupações sobre os possíveis efeitos da crise nas finanças do país.

As denúncias envolvendo o banco e suas relações com integrantes do governo contribuíram para a abertura do processo político que resultou na saída de Peña da Presidência.

Com a destituição, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai, em meio à expectativa de medidas para proteger os depositantes afetados.

Peña deverá prestar esclarecimentos ao Ministério Público sobre as suspeitas investigadas. Sua defesa questiona a necessidade das medidas restritivas de liberdade e afirma que ele colaborará com as investigações.

A crise segue marcada por manifestações populares, apurações judiciais e cobranças por soluções para os clientes prejudicados pelo colapso bancário.

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